Posts Tagged ‘ Literatura; Escritores ’

ASSOBIO REBELDE – MARIA DOS ANJOS – GERAÇÃO À RÁSCA – A NOSSA CULPA…


 Este texto pertence à Assobio, Mª dos Anjos e não a Mia Couto.

http://assobiorebelde.blogspot.com

 

“Um dia, isto tinha de acontecer.

Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa
abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes
as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar
com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também
estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância
e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus
jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a
minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos)
vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós
1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram
nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles
a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…), mas também lhes
deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de
diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível
cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as
expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou
presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o
melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas
vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não
havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, … A
vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem
Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde
não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar
a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de
aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a
pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e
da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que
os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade,
nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter
de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e
que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm
direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas,
porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo
menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por
escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na
proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que
o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois
correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em
sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso
signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas
competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por
não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração
que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que
queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a
diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo
como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as
foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não
lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de
montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o
desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e
inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no
retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e
nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como
todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados
pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham
bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados
académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos
que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e,
oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a
subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
a que alguns acham ter direito e que pelos vistos – e a acreditar no
que ultimamente ouvimos de algumas almas – ocupamos injusta, imerecida
e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme
convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem
fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e
a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço? “

Este texto não é de Mia Couto. Já faz algum tempo que estão a circular isso pela internet equivocadamente. O próprio Mia já declarou em um blog que não foi ele quem escreveu. Vejam aqui:

http://sobreliteraciadigital.wordpress.com/2011/04/16/como-confirmar-a-autoria-de-um-texto-de-mia-couto/

Este texto pertence à Assobio, Mª dos Anjos.

http://assobiorebelde.blogspot.com/2011/03/geracao-rasca-assobio-rebelde-mia-couto.html

Anúncios

JOYCE CAROL OATES


JOYCE CAROL OATES

Joyce Carol Oates, é uma escritora norte-americana, que nasceu a 16 de Junho de 1938 em Lockport, (Nova Iorque). Joyce Carol Oates  frequentemente expressa uma nostalgia intensa quando recorda a época e o lugar da sua infância e a sua educação da classe trabalhadora é carinhosamente recordada em grande parte da sua ficção. No entanto, ela também admitiu que o rural, o ambiente áspero dos seus primeiros anos envolveu “uma luta diária pela sobrevivência.” Cresceu no campo fora de Lockport, Nova Iorque, frequentou uma escola de uma única sala nos primeiros 4 anos de escola. Como uma criança pequena, ela contava histórias instintivamente por meio de desenhos e pinturas antes de aprender a escrever. Depois de receber de presente uma máquina de escrever aos quatorze anos, começou conscientemente a escrever os seus primeiros esboços literários durante o liceu e a faculdade.

O sucesso surgiu cedo: ao frequentar a universidade de Siracusa como bolsista, ela ganhou o concurso de ficção cobiçado Mademoiselle. Após se licenciar como melhor aluna da turma, ganhou um mestrado em Inglês pela Universidade de Wisconsin, onde conheceu e casou  com Raymond J. Smith, após um namoro de três meses, em 1962, o casal estabeleceu-se em Detroit, uma cidade cuja erupção social e tensões sugeriram a Oates um microcosmo da realidade violenta americana. O seu melhor romance inicial, “Them”, juntamente com um fluxo constante de outros romances e contos, surgidos da sua experiência de Detroit.”Detroit, fez-me a pessoa que sou, portanto eu sou o escritor para melhor do pior.”

Entre 1968 e 1978, Oates leccionou na Universidade de Windsor, no Canadá, do outro lado do rio Detroit. Durante esta década imensamente produtiva, ela publicou livros novos, à taxa de dois ou três por ano, ao mesmo tempo manteve uma carreira académica a tempo inteiro. Embora ainda na casa dos trinta, Oates torne-se uma das escritoras mais respeitadas e honradas nos Estados Unidos. Questionada repetidamente como ela conseguiu produzir tanto trabalho excelente numa ampla variedade de géneros, ela deu variações da mesma resposta básica, dizendo ao New York Times em 1975, que “sempre vivi uma vida muito convencional de moderação, absolutamente regular hora , nada exótica, não há necessidade, até mesmo, para organizar o meu tempo. ” Quando um repórter lhe rotulou de trabalhadora compulsiva”, ela respondeu:” Eu não estou consciente do trabalho especialmente difícil, ou de ‘trabalho’ num todo. A escrita e o ensino sempre foi, para mim, tão ricamente recompensadora, que eu não os vejo como trabalho no sentido usual da palavra. “

Em 1978, Oates mudou-se para Princeton, New Jersey, onde continua a ensinar no programa da Universidade de Princeton escrita criativa, ela e  o seu marido também editam uma pequena revista literária,  Ontario Review .* Pouco depois de chegar a Princeton, Oates começou a escrever Bellefleur, o primeiro de uma série de romances góticos ambiciosos que, simultaneamente, retrabalhad0s estabeleceram um género literário e renomearam grandes áreas da história americana. Publicados no início de 1980, estes romances marcaram a partida do realismo psicológico dos seus trabalhos anteriores. Mas Oates retornou poderosa ao modo realista com  ambiciosas cronicas de famila, ((You Must Remember This, Because It Is Bitter, and Because It Is My Heart, as novelas de experiência feminina (Solstice, Marya: A Life), e ainda uma série de  romances de suspense (publicados sob o pseudónimo de “Rosamond Smith”), que mais uma vez representou uma experiência lúdica como  género literário. Como romancista John Barth  escreveu, “Joyce Carol Oates escreve tudo sobre o mapa astático.”

A trajectória dramática da carreira de Oates, especialmente a sua surpreendente ascensão de uma infância economicamente difícil à sua posição actual como uma das escritoras mais famosas do mundo, sugere uma versão literária feminista da busca mítica e realização do sonho americano. Ainda assim, com todo o seu sucesso e fama, a rotina diária de Oates de ensinar e escrever mudou muito pouco, e o seu compromisso com a literatura como uma actividade humana transcendente continua firme. Não surpreendentemente, uma citação de outro escritor prolífico americano, Henry James, que está afixada no bloco de notas sobre a sua secretária, e que talvez melhor exprime a sua própria visão final da sua vida escrevendo é: “Trabalhamos no escuro, fazemos o que Pode-mos, damos aquilo que temos. A nossa dúvida é  a nossa paixão e a nossa paixão é a nossa tarefa. O resto é a loucura da arte.

Como já referi anteriormente a obra de Joyce Carol Oates, é muito diversificada, compreende dezenas de títulos entre romances, contos, poesia, peças de teatro, ensaios, e críticas.

Entre os seus livros publicados em Portugal destaco: “Elas” 1969, “casamentos e infidelidades” 1972, “Marya, uma vida” 1986, “O Boxe” 1987, “águas negras” 1992, “Rosas de Fogo” 1993, e “Blonde” em 2000.