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ANTÓNIO PAISANA E SALVADOR MENDES DE ALMEIDA SALVADOR


Salvador Pereira Palha Mendes de Almeida nasceu em lisboa a 13 de Março de 1982. Em 2 de Agosto de 1998 sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. É formado em Marketing e publicidade pelo Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing, IADE. É presidente da fundação Salvador que fundou no ano de 2003.

António Lino Netto Paisana nasceu a 28 de Janeiro de 1980, em Lisboa. Estudou Direito na Universidade Católica de Lisboa (1998 – 2004), tendo terminado a agregação à ordem dos advogados em Outubro de 2006.

            Durante o curso viveu um ano na Grécia, em Tessalónica (2001 – 2002) no âmbito do programa Erasmus. Em Setembro de 2006 publica o seu primeiro romance, “Erasmus de Salónica”. Em 2007 foi um dos fundadores da revista Lisbon Golden Guide, sendo à presente data o seu director.

 

PREFÁCIO

                Já não o via há muito tempo. Aliás não me lembrava de o ter encontrado como “pessoa”. A recordação que tinha dele era de um “doente” com uma fractura de coluna cervical muito grave, que sofrera todas as complicações que podem suceder neste tipo de traumatismos. De tudo isto ele escapara porque fora muito bem tratado por uma equipa de médicos do hospital de Santa Maria (estou à vontade para o dizer, porque só estive indirectamente ligado ao caso), mas esse período terrível sumira-se no alçapão misericordioso que a memória por vezes abre para sepultar para sempre o sofrimento.

                Agora, no meu gabinete, numa cadeira que me pareceu pronta para uma corrida de formula 1, ele vinha pedir-me umas palavras de introdução para este livro, de uma forma despretensiosa e feliz. O facto de saber que ele tinha as qualidades daqueles que, na outra terra onde vivi, eram classificados como “survivors”, foi razão suficiente para aceitar. E que óptima surpresa fui encontrar!

Esta é a história de um “Salvador” e de um “salvado” que, por acaso, são uma e mesma pessoa – “Salvador”. A história é contada numa única noite (a narrativa nocturna foi uma técnica que Sherazade inventou para não lhe cortarem o pescoço…), em discurso directo a um amigo. Porque sempre entendi que os testemunhos de que vive a doença ou a incapacidade nos ensinam muito mais sobre o sofrimento humano do que muitos tratados de medicina, leio-os sempre com interesse e, quando numa idade em que se pode pensar que já se viu tudo e nada há a aprender, se aprende alguma coisa nova, é sempre razão de júbilo.

De facto, através destas narrativas “patográficas” – ou seja reatos por doentes da sua própria doença – percebe-se melhoro sofrimento de estar doente do ponto de vista ético e técnico. Devo dizer, por exemplo, que passei a utilizar a ideia do Salvador que era a cadeira de rodas que estava presa a ele e não o oposto!

Impressionou-me nesta leitura a sensibilidade, inesperadamente madura, que revela, o tacto com que fala dos sentimentos, a liberdade como trata do amor e da sexualidade, como se a intensidade da tragédia (e o termo não é excessivo) que viveu, lhe tivesse acelerado a vida e o tornara precocemente sábio.

Esta é também uma lição de “esperança prudente”, uma ideia que talvez valha a pena explicar. Tenho dito (e escrito) que o problema da esperança é uma das matérias mais difíceis de tratar no tempo de uma medicina que é por vezes demasiado rápida a celebrar vitórias, algumas bem efémeras, outras enganadoras. A área dos traumatismos medulares é certamente daquelas em que se têm anunciado as curas mais miraculosas, e milhares de doentes têm sido submetidos a intervenções fúteis e, não raramente fraudulentas. Mas, ao mesmo tempo, é também objecto de investigação intensa, sobretudo através de modelos animais que, no entanto, são uma réplica muito rudimentar da função motora dos humanos. Uma das confissões mais pungentes do Salvador é a dificuldade simples de arranjar os lençóis da cama, coisa de que nenhum ratinho se irá algum dia queixar…

Logo no inicio da doença prometeram-lhe, em profecia optimista, que iria andar oito anos depois, e que a cura ia surgir. Mas isso não parece ter sido nunca uma obsessão para o Salvador, e tantas vezes eu verifiquei que este tipo de fixação ou miragem arrisca-se a abafar tudo o resto, e a tal profecia não cumprida acaba por ter consequências terríveis no ânimo do doente. A esperança que aqui é transmitida é aquela que renasce todas as manhãs com a simples alegria de viver mais um dia, e que anima o Salvador nos seus projectos da profissão e da família, porque, quanto ao andar, o Dr. Ascenso tudo esclareceu quando lhe disse: “olho para ti e vejo alguém que anda, que caminha, só que o fazes de forma diferente…”

Só por duas ou três vezes ele conta que terá chorado. É possível que tenham sido mais, porque seria incompreensivelmente desumano ou assumidamente sobrenatural que tal não tivesse acontecido. Mas, igualmente, a interrogação de job “Porquê eu?”, não o assaltou demasiado, e o sentido insondável de certos castigos não parece tê-lo revoltado. Importa sim, sublinhar, que os privilégios do berço que facilitaram a sua reintegração social (para usar a seca terminologia técnica), criaram nele a obrigação sentida de partilha com outros das suas experiências, e para tentar contribuir para criar condições que facilitem a vida de quem sofre deste tipo de “handicaps”. E este é, para mim, outro ponto fundamental que ressalvo, pois a lição evangélica das parábolas do semeador e dos talentos tem para mim um supremo valor moral.

Confesso que li o manuscrito no meu consultório, em pedaços de tempo que iam surgindo entre consultas e operações. E quando interrompia a leitura, porque se sentava na minha frente outro doente e começava a desfiar a sua história, eu sentia-me mais paciente, mais tolerante, mais humano afinal. Por isso, também aqui, devo um pouco ao salvador

Esta é a história de um rapaz que com uma coragem única se fez homem e, porque não perdeu a esperança, se salvou.

João Lobo Antunes

 

“Este livro fala da liberdade interior que é a única que nos permite ser verdadeiramente felizes. O salvador é para todos um testemunho contagiante de alegria, entusiasmo e força de vontade. O seu livro conta uma história de superação que nos comove, que muda o nosso olhar e nos transforma para sempre. Ficamos diferentes depois de o ler.”

 

LAURINDA ALVES

 

“ (…) Lembro-me também como se fosse hoje, de sentir que o céu estava apenas a um palmo de distância, que se eu quisesse poderia tocar as nuvens, sentir a sua textura, e que no instante preciso em que me preparava para o fazer, os meus braços continuavam pregados ao chão. (…) “

IN SALVADOR

 

“ (…) Esta é a história de um rapaz que com uma coragem única se fez homem e, porque não perdeu a esperança se salvou. (…)

JOÃO LOBO ANTUNES´

Para mais informações visite o Site:

Www.associacaosalvador.com

A Associação Salvador, sem fins lucrativos promove a solidariedade pelos interesses e direitos das pessoas com deficiência. Esta instituição desenvolve o seu trabalho em torno de três eixos fundamentais: Investigação cientifica, Sponsorship e um conjunto de Acções anuais com um enfoque nas áreas de: Acessibilidades, Integração, Prevenção Rodoviária, Turismo e Cooperação Internacional.

Este é um livro que recomendo a todos os amantes da leitura ou não, um livro que nos torna diferentes depois de o ler. Ficamos mais humanos, ajuda-nos a perceber e compreender o que por vezes nos parece imcompreencivel… dificil de entender por não termos dificuldades a enfrentar as barreiras fisicas e sociais anda existentes na sociedade dita moderna, sociedade esta construida a pensar na generalidade dos seres humanos e não como acho que deveria ser, uma sociedade adaptada aos cidadões com dificuldades fisicas, dificuldade em transpor as barreiras fisicas e sociais da sociedade do século XXI.

PAULO COELHO

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As coisas que aprendi na vida


VIDA...

Aprendi que não importa o quanto eu me importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. 

Aprendi que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-me de vez em quando. Mas eu preciso perdoá-la por isto.

Aprendi que falar pode aliviar as minhas dores emocionais.

Aprendi que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la.

Aprendi que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias.

Aprendi que eu posso fazer, em instantes, coisas das quais me arrependerei pelo resto da vida

Aprendi que o que importa não é o que eu tenho na vida, mas quem eu tenho na vida.

Aprendi que os membros de minha família são os amigos que não me permitiram escolher.

Aprendi que não tenho que mudar de amigos, e, sim, compreender que os amigos mudam.

Aprendi que as pessoas com quem eu mais me importava na vida me foram tomadas muito depressa.

Aprendi que devo deixar sempre as pessoas que amo com palavras amorosas. Pode ser a última vez que as vejo.

Aprendi que as circunstâncias e o ambiente têm influência sobre mim, mas eu sou responsável por mim mesmo.

Aprendi que não devo me comparar aos outros, mas com o melhor que posso fazer.

Aprendi que não importa até onde eu chegue, mas para onde estou indo.

Aprendi que não importa quão delicado e frágil seja algo, sempre existem dois lados.

Aprendi que vou levar muito tempo para eu me tornar a pessoa que quero ser.

Aprendi que eu posso ir mais longe depois de pensar que não posso mais.

Aprendi que ou eu controlo meus actos ou eles me controlarão.

Aprendi que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário, enfrentando as conseqüências.

Aprendi que ter paciência requer muita prática.

Aprendi que existem pessoas que me amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.

Aprendi que o meu melhor amigo e eu podemos fazer muitas coisas, ou nada, e termos bons momentos juntos.

Aprendi que a pessoa que eu espero que me pise, quando eu estiver caído, é uma das poucas que me ajudarão a levantar.

Aprendi que há mais dos meus pais em mim do que eu supunha.

Aprendi que quando estou com raiva, tenho direito de estar com raiva. Mas isto não me dá o direito de ser cruel.

Aprendi que só porque alguém não me ama do jeito que eu quero não significa que esse alguém não me ame com tudo o que pode.

Aprendi que a maturidade tem mais a ver com os tipo de experiências que eu tive, e o que aprendi com elas, do que com quantos aniversários já celebrei.

Aprendi que nunca devo dizer a uma criança que sonhos são bobagens, ou que estão fora de cogitação. Poucas coisas são mais humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse em mim.

Aprendi que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, tenho que aprender a perdoar a mim mesmo.

Aprendi que não importa em quantos pedaços meu coração foi partido. O mundo não pára para que eu o conserte.

Apenas aprendi…

As coisas que aprendi na vida!

 

A VIDA....

 

 

CARTAS A LUCÍLIO (Lúcio Aneu Séneca)


 

Lúcio Aneu Séneca

Lucílio Aneu Séneca nasceu em Córdova em data indeterminada, cerca do início da nossa era. Seu pai, de nome também Lucílio Aneu Séneca (conhecido por Séneca-o-Retor, para o distinguir do filho Séneca-o-Filósofo) trouxe-o ainda criança para Roma, onde estudou com mestres de várias tendências filosóficas, mas especialmente de obediência estóica.

Durante o principado de Gaio (Calígula) iniciou uma brilhante carreira como advogado, mas logo após a subida ao poder do imperador Cláudio foi por este exilado para a Córsega, onde se manteve durante 8 anos. Em 49, a nova esposa do Imperador, Agripina, conseguiu a anulação do exílio, chamou Séneca a Roma e confiou-lhe a educação do jovem Nero. Morto Cláudio e aclamado Nero como novo Imperador pela guarda pretoriana, começa a fase mais importante da carreira política de Séneca. A partir de 62, porém, as tendências autocráticas de Nero afirmam-se decididamente e Séneca retira-se à vida privada. 3 Anos depois, uma conjura para derrubar Nero é descoberta e o filósofo é dado como implicado nela, recebendo ordem do Imperador para se suicidar, o que acontece em Abril de 65. – A obra conservada de Séneca é considerável, nela se compreende uma virulenta sátira à morte de Cláudio, uma série de 10 tragédias (sendo algumas de autenticidade discutida), um volumoso tratado sobre os benefícios, um manifesto político sobre a clemência, um conjunto de vários opúsculos sobre problemas vários de filosofia moral prática (conhecidos sob a designação de Diálogos), as Questões naturais (tratado sobre vários problemas de ordem científica). A sua obra mais importante, escrita durante os últimos anos de vida, são no entanto, as Cartas a Lucílio, que mostram Séneca na plena posse dos seus recursos como pensador inserido na corrente estóica: “filósofo da condição humana” como lhe chamou o Padre Manuel Antunes, as Cartas conservam uma flagrante actualidade dada a intemporalidade dos problemas tratados e pertinência dos valores morais a que o autor faz constantemente apelo.

Cartas a Lucílio «Séneca» (Fundação Galouste Gulbenkian)

 

As Cartas a Lucílio – Epistulae morales ad Lucilium – São geralmente consideradas a obra mais importante de quantas subsistem da autoria de Lúcio Aneu Séneca. Tal importância deriva de circunstâncias várias: o facto de se situarem cronologicamente entre as produções da última fase da vida do autor e reflectirem, portanto, a forma mais amadurecida do seu pensamento; o facto de essa fase da vida de Séneca (que iria culminar no suicídio) se ter revestido de formas especialmente dramáticas que encontram eco, mais ou menos explícito, no texto; o facto de, pela sua própria amplitude, conterem uma soma de reflexões sobre enorme variedade de problemas, na sua totalidade de carácter ético; o facto de tais reflexões, conquanto assentes num quadro teórico perfeitamente delimitado e coerente, se revestirem de um carácter extremamente prático, isto é, de constituírem uma análise de situações concretas e de apreciações de grande grandeza sobre a natureza e o comportamento humanos; o facto de o quadro epistolar escolhido pelo autor para a sua exposição (quer se pense, como estamos em crer, que as Cartas representam uma correspondência efectiva mantida por Séneca com o seu destinatário, quer, como alguns entendem, que apenas resultam de uma mera ficção literária) se prestar à inclusão de numerosos elementos informativos sobre múltiplos aspectos da vida e da civilização romanas; o facto, enfim, de a natureza dos problemas que suscitam e discutem se revestir de uma pertinência transcendente à época em que foram redigidas e oferecer uma viva fonte de meditação para quem pretenda questionar-se sobre os valores da sociedade em que se insere. A persuasão de que a leitura de Séneca pode ser nos dias de hoje de uma utilidade prática evidente como precioso auxiliar no entendimento da natureza humana e na determinação da existência, levou-me a fazer um post sobre esta obra e o seu autor.