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CARTAS A LUCÍLIO (Lúcio Aneu Séneca)


 

Lúcio Aneu Séneca

Lucílio Aneu Séneca nasceu em Córdova em data indeterminada, cerca do início da nossa era. Seu pai, de nome também Lucílio Aneu Séneca (conhecido por Séneca-o-Retor, para o distinguir do filho Séneca-o-Filósofo) trouxe-o ainda criança para Roma, onde estudou com mestres de várias tendências filosóficas, mas especialmente de obediência estóica.

Durante o principado de Gaio (Calígula) iniciou uma brilhante carreira como advogado, mas logo após a subida ao poder do imperador Cláudio foi por este exilado para a Córsega, onde se manteve durante 8 anos. Em 49, a nova esposa do Imperador, Agripina, conseguiu a anulação do exílio, chamou Séneca a Roma e confiou-lhe a educação do jovem Nero. Morto Cláudio e aclamado Nero como novo Imperador pela guarda pretoriana, começa a fase mais importante da carreira política de Séneca. A partir de 62, porém, as tendências autocráticas de Nero afirmam-se decididamente e Séneca retira-se à vida privada. 3 Anos depois, uma conjura para derrubar Nero é descoberta e o filósofo é dado como implicado nela, recebendo ordem do Imperador para se suicidar, o que acontece em Abril de 65. – A obra conservada de Séneca é considerável, nela se compreende uma virulenta sátira à morte de Cláudio, uma série de 10 tragédias (sendo algumas de autenticidade discutida), um volumoso tratado sobre os benefícios, um manifesto político sobre a clemência, um conjunto de vários opúsculos sobre problemas vários de filosofia moral prática (conhecidos sob a designação de Diálogos), as Questões naturais (tratado sobre vários problemas de ordem científica). A sua obra mais importante, escrita durante os últimos anos de vida, são no entanto, as Cartas a Lucílio, que mostram Séneca na plena posse dos seus recursos como pensador inserido na corrente estóica: “filósofo da condição humana” como lhe chamou o Padre Manuel Antunes, as Cartas conservam uma flagrante actualidade dada a intemporalidade dos problemas tratados e pertinência dos valores morais a que o autor faz constantemente apelo.

Cartas a Lucílio «Séneca» (Fundação Galouste Gulbenkian)

 

As Cartas a Lucílio – Epistulae morales ad Lucilium – São geralmente consideradas a obra mais importante de quantas subsistem da autoria de Lúcio Aneu Séneca. Tal importância deriva de circunstâncias várias: o facto de se situarem cronologicamente entre as produções da última fase da vida do autor e reflectirem, portanto, a forma mais amadurecida do seu pensamento; o facto de essa fase da vida de Séneca (que iria culminar no suicídio) se ter revestido de formas especialmente dramáticas que encontram eco, mais ou menos explícito, no texto; o facto de, pela sua própria amplitude, conterem uma soma de reflexões sobre enorme variedade de problemas, na sua totalidade de carácter ético; o facto de tais reflexões, conquanto assentes num quadro teórico perfeitamente delimitado e coerente, se revestirem de um carácter extremamente prático, isto é, de constituírem uma análise de situações concretas e de apreciações de grande grandeza sobre a natureza e o comportamento humanos; o facto de o quadro epistolar escolhido pelo autor para a sua exposição (quer se pense, como estamos em crer, que as Cartas representam uma correspondência efectiva mantida por Séneca com o seu destinatário, quer, como alguns entendem, que apenas resultam de uma mera ficção literária) se prestar à inclusão de numerosos elementos informativos sobre múltiplos aspectos da vida e da civilização romanas; o facto, enfim, de a natureza dos problemas que suscitam e discutem se revestir de uma pertinência transcendente à época em que foram redigidas e oferecer uma viva fonte de meditação para quem pretenda questionar-se sobre os valores da sociedade em que se insere. A persuasão de que a leitura de Séneca pode ser nos dias de hoje de uma utilidade prática evidente como precioso auxiliar no entendimento da natureza humana e na determinação da existência, levou-me a fazer um post sobre esta obra e o seu autor.

MORREU JOSÉ SARAMAGO


CARICATURA DO N.º 1 DOS ESCRITORES PORTUGUÊSES

O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998 José Saramago morreu hoje aos 87 anos em Lanzarote.

José Saramago morreu “estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila”, diz o comunicado oficial da Fundação do escritor, emitido às 13:40.

O comunicado anuncia que José Saramago “faleceu às 12:30 na sua residência em Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença”.

Fazendo minhas as palavras da ministra da cultura do Governo Português, Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas, com a morte do grande escritor a Literatura, e a cultura Portuguêsa, ficaram Orfãos!

Morreu hoje um dos escritores mais fantásticos da Língua Portuguesa. Um homem generoso, extremamente inteligente e lúcido. Faltam palavras para descrever a figura que foi José Saramago, as suas ideias. Felizmente, ele deixou-as todas para nós. Não apenas atravéz dos seus livros, os melhores. Um homem que, aos 87 anos, dispõe-se a manter um blog (Outros cadernos de Saramago), não é um homem qualquer. Um comunista sem ranço, que enxergava longe, além.

Entretanto, esta sexta-feira, o  corpo de José Saramago vai estar em câmara ardente, a partir das 17h00 (hora portuguesa) na biblioteca José Saramago, localizada em Tías, na ilha espanhola de Lanzarote onde o escritor residia desde 1993.

O Prémio Nobel da Literatura, o escritor José Saramago morreu esta sexta-feira, aos 87 anos em Lanzarote, onde residia há vários anos. O escritor sofria de leucemia e há várias semanas que não saía de casa.

José Saramago foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Deixa uma vasta obra onde se incluem géneros distintos.

Publicou o seu primeiro livro em 1944 e esteve quase duas décadas sem voltar a publicar. Em 1966 reaparece no panorama literário com um conjunto de poemas.

Conquistou leitores, prémios e distinções em todo o mundo. Uma das suas obras, ‘Ensaio sobre a Cegueira’ foi adaptado ao grande ecrã pela mão do realizador brasileiro Fernando Meireles. Em Portugal, os seus textos constam nos programas oficiais de Língua Portuguesa nos liceus.

Criou a Fundação José Saramago, que ocupa a Casa dos Bicos por cedência da Câmara Municipal de Lisboa.

O seu último livro, ‘Caim‘, publicado em 2009 suscitou uma forte polémica, com figuras ligadas à Igreja Católica indignadas com a forma como Deus era apresentado nesta visão da Bíbilia.

Última reflexão no blogue

Uma última reflexão de José Saramago surge no blogue ‘Outros Cadernos de Saramago’. Assinada por Fundação José Saramago, a mensagem data de 18 de Junho e tem por título ‘Pensar, pensar’.

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.”

Livros de José Saramago

1947. ‘Terra do Pecado’ (romance)

1966. ‘Os Poemas Possíveis’ (poesia)

1970. ‘Provavelmente Alegria’ (poesia)

1971. ‘Deste Mundo e do Outro’ (crónica)

1973. ‘A Bagagem do Viajante’ (crónica)

1974. ‘As Opiniões que o DL Teve’ (crónica)

1975. ‘O Ano de 1993’ (poesia)

1976. ‘Os Apontamentos – Crónicas Políticas’ (crónica)

1977. ‘Manual de Pintura e Caligrafia’ (romance)

1978. ‘Objecto Quase’ (conto)

1979. ‘Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido’

1979. ‘A Noite’ (peça de teatro)

1980. ‘Que Farei Com Este Livro?’ (peça de teatro)

1980. ‘Levantado do Chão’ (romance)

1981. ‘Viagem a Portugal’ (viagens ou ensaio)

1982. ‘Memorial do Convento’ (romance)

1984. ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (romance)

1986. ‘A Jangada de Pedra’ (romance)

1987. ‘A Segunda Vida de Francisco de Assis’ (peça de teatro)

1989. ‘História do Cerco de Lisboa’ (romance)

1991. ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ (romance)

1993. ‘In Nomine Dei’ (peça de teatro)

1994. ‘Cadernos de Lanzarote I’ (diário)

1995. ‘Ensaio sobre a Cegueira’ (romance)

1995. ‘Cadernos de Lanzarote II’  (diário)

1996. ‘Cadernos de Lanzarote III’ (diário)

1997. ‘Todos os Nomes’ (romance)

1997. ‘Cadernos de Lanzarote IV’ (diário)

1997. ‘O Conto da Ilha Desconhecida’ (conto)

1998. ‘Cadernos de Lanzarote V’ (diário)

2001. ‘A Caverna’ (romance)

‘A Maior Flor do Mundo’ (infantil)

2002. ‘O Homem Duplicado’ (romance)

2004. ‘Ensaio sobre a Lucidez’ (romance)

2005. ‘As Intermitências da Morte’ (romance)

2005. ‘Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido’ (peça de teatro)

2006. ‘As Pequenas Memórias’ (memórias)

2008. ‘A Viagem do Elefante’ (romance)

2009. ‘Caim‘ (romance)

R.I.P.

JOSÉ SARAMAGO

Para conhecimento de todos os que queiram prestar homenagem a José Saramago, informa-se que o corpo estará em câmara ardente na Câmara Municipal de Lisboa entre as 14.30 e as 24 Horas de Sábado, dia 19 de Junho, e a partir das 09 até às 12 Horas de Domingo, dia 20 de Junho.

JOYCE CAROL OATES


JOYCE CAROL OATES

Joyce Carol Oates, é uma escritora norte-americana, que nasceu a 16 de Junho de 1938 em Lockport, (Nova Iorque). Joyce Carol Oates  frequentemente expressa uma nostalgia intensa quando recorda a época e o lugar da sua infância e a sua educação da classe trabalhadora é carinhosamente recordada em grande parte da sua ficção. No entanto, ela também admitiu que o rural, o ambiente áspero dos seus primeiros anos envolveu “uma luta diária pela sobrevivência.” Cresceu no campo fora de Lockport, Nova Iorque, frequentou uma escola de uma única sala nos primeiros 4 anos de escola. Como uma criança pequena, ela contava histórias instintivamente por meio de desenhos e pinturas antes de aprender a escrever. Depois de receber de presente uma máquina de escrever aos quatorze anos, começou conscientemente a escrever os seus primeiros esboços literários durante o liceu e a faculdade.

O sucesso surgiu cedo: ao frequentar a universidade de Siracusa como bolsista, ela ganhou o concurso de ficção cobiçado Mademoiselle. Após se licenciar como melhor aluna da turma, ganhou um mestrado em Inglês pela Universidade de Wisconsin, onde conheceu e casou  com Raymond J. Smith, após um namoro de três meses, em 1962, o casal estabeleceu-se em Detroit, uma cidade cuja erupção social e tensões sugeriram a Oates um microcosmo da realidade violenta americana. O seu melhor romance inicial, “Them”, juntamente com um fluxo constante de outros romances e contos, surgidos da sua experiência de Detroit.”Detroit, fez-me a pessoa que sou, portanto eu sou o escritor para melhor do pior.”

Entre 1968 e 1978, Oates leccionou na Universidade de Windsor, no Canadá, do outro lado do rio Detroit. Durante esta década imensamente produtiva, ela publicou livros novos, à taxa de dois ou três por ano, ao mesmo tempo manteve uma carreira académica a tempo inteiro. Embora ainda na casa dos trinta, Oates torne-se uma das escritoras mais respeitadas e honradas nos Estados Unidos. Questionada repetidamente como ela conseguiu produzir tanto trabalho excelente numa ampla variedade de géneros, ela deu variações da mesma resposta básica, dizendo ao New York Times em 1975, que “sempre vivi uma vida muito convencional de moderação, absolutamente regular hora , nada exótica, não há necessidade, até mesmo, para organizar o meu tempo. ” Quando um repórter lhe rotulou de trabalhadora compulsiva”, ela respondeu:” Eu não estou consciente do trabalho especialmente difícil, ou de ‘trabalho’ num todo. A escrita e o ensino sempre foi, para mim, tão ricamente recompensadora, que eu não os vejo como trabalho no sentido usual da palavra. “

Em 1978, Oates mudou-se para Princeton, New Jersey, onde continua a ensinar no programa da Universidade de Princeton escrita criativa, ela e  o seu marido também editam uma pequena revista literária,  Ontario Review .* Pouco depois de chegar a Princeton, Oates começou a escrever Bellefleur, o primeiro de uma série de romances góticos ambiciosos que, simultaneamente, retrabalhad0s estabeleceram um género literário e renomearam grandes áreas da história americana. Publicados no início de 1980, estes romances marcaram a partida do realismo psicológico dos seus trabalhos anteriores. Mas Oates retornou poderosa ao modo realista com  ambiciosas cronicas de famila, ((You Must Remember This, Because It Is Bitter, and Because It Is My Heart, as novelas de experiência feminina (Solstice, Marya: A Life), e ainda uma série de  romances de suspense (publicados sob o pseudónimo de “Rosamond Smith”), que mais uma vez representou uma experiência lúdica como  género literário. Como romancista John Barth  escreveu, “Joyce Carol Oates escreve tudo sobre o mapa astático.”

A trajectória dramática da carreira de Oates, especialmente a sua surpreendente ascensão de uma infância economicamente difícil à sua posição actual como uma das escritoras mais famosas do mundo, sugere uma versão literária feminista da busca mítica e realização do sonho americano. Ainda assim, com todo o seu sucesso e fama, a rotina diária de Oates de ensinar e escrever mudou muito pouco, e o seu compromisso com a literatura como uma actividade humana transcendente continua firme. Não surpreendentemente, uma citação de outro escritor prolífico americano, Henry James, que está afixada no bloco de notas sobre a sua secretária, e que talvez melhor exprime a sua própria visão final da sua vida escrevendo é: “Trabalhamos no escuro, fazemos o que Pode-mos, damos aquilo que temos. A nossa dúvida é  a nossa paixão e a nossa paixão é a nossa tarefa. O resto é a loucura da arte.

Como já referi anteriormente a obra de Joyce Carol Oates, é muito diversificada, compreende dezenas de títulos entre romances, contos, poesia, peças de teatro, ensaios, e críticas.

Entre os seus livros publicados em Portugal destaco: “Elas” 1969, “casamentos e infidelidades” 1972, “Marya, uma vida” 1986, “O Boxe” 1987, “águas negras” 1992, “Rosas de Fogo” 1993, e “Blonde” em 2000.