O Terceiro Reich


Mais um romance de Bolaño publicado em Portugal, depois de 2666, considerado um dos acontecimentos editoriais de 2009.

“Há uma espécie de detective literário, personagens peculiares e um sem-fim de referências literárias — que darão muito gozo ao leitor. A saber: Udo Berger, que sempre quis ser um grande escritor, mas que tem de se conformar em ser o campeão de “jogos de & estratégia guerra em Stuttgart”, decide ir ao Hotel del Mar, na Costa Brava catalã, com a sua nova namorada, Ingeborg (nome de uma das pesonagens de 2666). O objectivo é treinar-se para participar num novo jogo de estratégia, justamente Terceiro Reich, e preparar-se para ganhar um torneio internacional. Eles compartilham suas férias com um outro casal alemão, Charlie e Hanna, até que o primeiro destes desaparece misteriosamente depois de se cruzar com dois sinistros personagens que também levantam suspeitas nas autoridades locais: «O Lobo» e «O Cordeiro». Entretanto, Udo Berger é perseguido por um detective estranho e sombrio e, atormentado por essa perseguição sem sentido, acaba por entrar em delírio com a “paisagem surreal da Costa Brava”. Tudo isto acontece quando entra num jogo de vida ou morte com um personagem enigmático e de rosto desfigurado, El Quemado. Uma autêntica sinfonia de literatura, política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro.”

DEUS O BIOMBO ETERNO (“Rui Almeida Branco”)


O escritor Rui Almeida Branco esteve no Clube Literário do Porto para apresentar o seu segundo romance. “Deus, o Biombo Eterno” é uma viagem pelo mundo de novas seitas religiosas e das suas formas de captar a atenção dos fiéis, ao mesmo tempo que conta também uma história de amor.

Depois do romance “Destino de Lua”, o escritor entra agora no universo transcendental do papel da religião nos dias de hoje. Como descreveu Paulo Ferreira do Amaral, professor e gestor, presente na apresentação do livro, “Deus é mais um pretexto para o grande tema do livro que é a sociedade actual e o poder da comunicação empresarial”.

O marketing e o poder da comunicação associados a estas organizações têm um papel central na trama. Paulo Ferreira do Amaral considerou mesmo que o livro “é um manual de marketing”. “É uma obra sobre estratégia comunicacional mas não deixa de ser um romance”, notou.

Outra reflexão feita pelo livro é o lado mais negativo de algumas religiões fundamentalistas que podem fazer com que o homem perca a sua racionalidade. Apesar de não existir uma relação directa, a seita religiosa tratada na obra é uma metáfora à Igreja Universal do Reino de Deus, muito popular em países da América do Sul.

Manoel de Oliveira


Manoel Cândido Pinto de Oliveira é um prestigiado cineasta português, o realizador de cinema com mais anos de vida no activo, nasceu no Porto a 11 de Dezembro de 1908, embora a data oficial do seu nascimento seja a 12 de Dezembro, dia em que foi registado. Manoel de Oliveira nasceu no ceio de uma família da burguesia média-alta. É filho de Francisco José de Oliveira, o primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal, e da sua esposa, Cândida Ferreira Pinto.

Interessou-se muito cedo pelo cinema, graças ao seu pai, que o levava a ver filmes de Charles Chaplin e Max Linder, despertando-lhe assim o interesse pela sétima arte. Fez os primeiros estudos no colégio Universal no Porto, e posteriormente, no colégio Jesuíta de La Guardia, na Galiza. Mas foi como desportista de ginástica, natação, atletismo e automobilismo, que ganhou notoriedade inicialmente. No atletismo foi campeão nacional do salto com vara, e atleta do elitista Sport Club do Porto, no automobilismo venceu o grande prémio internacional do autódromo do Estoril na temporada de 1937, ao volante de um Ford V8 Especial. Ainda antes dos filmes veio a vida boémia, eram habituais as tertúlias no café Diana, na Póvoa de Varzim, com José Régio, Agustina Bessa Luís e outros.

Aos 20 anos ingressa na escola de Actores de Cinema, fundada no Porto por Rino Lupo, participando com o irmão, Casimiro de Oliveira, como figurante num filme deste realizador,  Fátima Milagrosa (1928). A revista Imagem pública em 1930 fotografias suas considerando-o “um dos mais fotogénicos cinéfilos portugueses“. Por esta altura comprou uma máquina Kinamo com a qual começou a filmar Douro, Faina Fluvial, com um fotógrafo amador, António Mendes. Trabalho inspirado no filme de Walter Ruttman – Berlim, Sinfonia de uma Capital (1927). A 21 de Setembro de 1931 estreia a versão muda do Douro, Faina Fluvial no V Congresso Internacional da Crítica, o qual despertou violentas reacções dos críticos nacionais e elogios dos estrangeiros.  Seria o primeiro documentário de muitos que abordariam, de um ponto de vista etnográfico, o tema da vida marítima da costa de Portugal. Críticas essas que nunca mais deixaram a obra de Oliveira. Por uns a sua obra é elogiada, por outros é fortemente criticada, mas Oliveira continua a filmar. As críticas são centradas na forma como estrutura os filmes e a lentidão com que se desenrola a acção. Dá mais importância às palavras e ao conteúdo do que aos actos. A câmara raramente se move, e quando o faz são movimentos subtis para mostrar um objecto, os movimentos corporais de um actor que fala. Tudo é encenado meticulosamente para o espectador não se distrair com pormenores supérfluos, agarrando-o desta forma à história deste génio do cinema.

Em 1933,  mantendo o gosto pela representação, participou como actor no segundo filme sonoro português, A Canção de Lisboa (1933), de Cottinelli Telmo, vindo a dizer, mais tarde, não se identificar com aquele estilo cinematográfico.

Passado um ano estreou a versão sonora de Douro, Faina Fluvial  além fronteiras, que o consagrou como cineasta. Todavia, na década de 30, não passaram de projectos Bruma, Miséria, Roda, Luz, Gigantes do Douro, A Mulher que Passa, Desemprego e Prostituição.

A 4 de Dezembro de 1940, Manoel de Oliveira, casa-se com Maria Isabel Brandão de Meneses de Almeida Carvalhais no Porto.

Em 1942, aventura-se na ficção como realizador: adaptado do conto Os Meninos Milionários, de Rodrigues de Freitas, Aniki-Bobó, um enternecedor retrato da infância no cru ambiente neo-realista da Ribeira do Porto foi um fracasso comercial, mas como o tempo daria que falar. Oliveira decidiu, talvez por isso, dedicar-se à produção agrícola da família, na região do Douro, ocupando-se do cultivo do Vinho do Porto. Em 1955 foi à Alemanha – Leverkussen, fazer um estágio intensivo nos laboratórios da AGFA, para estudar a cor aplicada ao cinema, que veio mais tarde (1957) a aplicar no documentário, O Pintor e a Cidade.

Em 1963, O Acto da Primavera (segunda docuficção portuguesa) marcou uma nova fase do seu percurso. Com este filme, praticamente ao mesmo tempo que António Campos, iniciou Manoel Oliveira em Portugal, a prática da antropologia visual no cinema.

Os anos sessenta consagram Manoel de Oliveira no plano internacional, a partir de Itália e de França: Homenagem no Festival de Locarno em 1964 e passagem da sua obra na Cinemateca de Henri Langlois – Paris 1965.

A partir de 1971, com o “O Passado e o Presente”, acumularam-se os galardões e os louvores, assim como as polémicas à volta da sua obra. Este filme inaugura a fase do cinema Português conhecida como “os anos Gulbenkian”, na qual a Fundação assumiu o protagonismo de apoio à produção cinematográfica nacional. O mesmo filme marca o início da sua teatrologia dos amores frustrados, da qual se incluem: Benilde ou a Virgem Mãe (1975), Amor de Perdição (1978) e Francisca (1981).

Recebe em 1980 a Medalha de Ouro pelo conjunto da sua obra, atribuída pelo CIDALC. Mais tarde em 1985 voltou a ser galardoado com o Leão de Ouro pelo seu filme, Le Soulier de Satin, no Festival de Veneza.

Data de 1987 o seu último documentário, a propósito da Bandeira Nacional, filme de arte sobre uma exposição do pintor Manuel Casimiro de Oliveira (seu filho), em Évora. Desde então tem mantido um ritmo imparável de trabalho (uma longa metragem por ano), permitido pelo estatuto que o seu prestígio alcançou junto das instituições oficiais: – as francesas especialmente, mas também as portuguesas, nomeadamente o IPACA. Entretanto, escreveu para teatro, sendo também o encenador no festival A CIDADELA DO TEATRO em Santarcongelo di Romagna – Itália.

Em 1988 apresentou Os Canibais ao Festival de Cannes. Em 1990, no mesmo evento cinematográfico exibiu extra concurso Non ou a Vã Glória de Mandar, o qual lhe valeu uma menção especial do júri oficial. Sucederam-se as homenagens, os preitos e as honrarias em Veneza (1991), La Carmo (1992), Tóquio (1993), São Francisco e Roma (1994), que lhe dão um prestígio mundial. Neste mesmo ano participou na Viagem a Lisboa de Wim Wenders.

Em 1995 a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) atribui-lhe o Prémio Carreira, inserido na comemoração do centenário do cinema. Em 1996 a Videoteca de Lisboa abre um ciclo intitulado “Encontros com o Cinema Novo”, abordando nesse evento “Manoel de Oliveira – O Caso e a Obra”; participa com Antoine de Baecque, num livro sobre diálogos para os “Cahiers du Cinéma“. A estação de televisão SIC e a revista CARAS, órgãos de comunicação portugueses, atribuem-lhe o prémio de Melhor Realizador em 1997.

Ainda em 1997, com o filme Viagem ao Princípio do Mundo, Manoel de Oliveira foi distinguido com o Prémio Fipresci, da Academia do Cinema Europeu. Em Cannes, a estreia de Inquietude (1998) confirmou uma vez mais o lugar de destaque do realizador português no panorama cinematográfico mundial. Em 1999 foi atribuído ao seu filme, A Carta, o Prémio Especial do Júri do Festival de Cannes. Em Agosto de 2000 estreou o seu filme, Palavra e Utopia, no Festival de Veneza, com Lima Duarte no papel do velho Padre António Vieira. No mesmo ano, nas universidades de Harvard, Yale e Massachusetts, nos Estados Unidos da América, foram organizadas homenagens ao cineasta português. Manoel de Oliveira recebeu mais um prémio em 2002, o Prémio Mundial das Artes Valldigna, atribuído pelo Governo Regional de Valência, em Espanha. Mantendo-se como o realizador mais idoso ainda em actividade, não deixou de surpreender em Je Rentre à la Maison (Vou Para Casa, 2001), onde proporcionou um grande papel a Michel Piccoli. Seguiram-se O Princípio da Incerteza (2002) e Um Filme Falado (2003), onde reuniu um elenco de luxo composto por Leonor Silveira, John Malkovich e Catherine Deneuve.


Em 2004 realiza
O Quinto Império – Ontem Como Hoje e em 2005 Espelho Mágico, ano em que recebeu em Paris o grau de Comendador da Ordem de Legião de Honra, pelas mãos do presidente francês Jacques Chirac, e a Medalha de Ouro do Círculo de Belas Artes de Madrid.
Volta à realização no ano seguinte com o filme
Belle Toujours e em 2007 realiza Cristóvão Colombo – O Enigma. Em 2008 foi homenageado com a Palma de Ouro de Honra do Festival de Cinema de Cannes como reconhecimento do seu talento e da sua obra.
Aquando da celebração do seu centésimo aniversário, o realizador foi condecorado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique.

Manoel de Oliveira insiste em dizer que só cria filmes pelo gozo de os fazer,independente da reacção dos críticos. Leva uma vida retirada e longe das luzes da ribalta. Durante o festival de Cannes 2008, foi congratulado e felicitado pessoalmente pelo actor norte-americano Clint Eastwood. Dotado de uma resistência e saúde física e mental inigualáveis, este brilhante cineasta ainda tem planos futuros.

Para terminar e completar este quadro sobre Manoel de Oliveira resta-nos ver um documentário autobiográfico: A Visita – Memórias e confissões, feito em 1982 mas a ser projectado unicamente após a sua morte, por desejo expresso do Autor.

Artigo, elaborado & desenvolvido por,

Paulo Coelho (“Sá”)

Fonte:

Diciopédia 2009

A Enciclopédia Livre,

Uma Pequena Biografia do Cineasta

O Fado


A palavra fado deriva do latim fatum, que significa destino.

A origem do fado, um estilo musical tipicamente português, é de difícil localização temporal e geográfica. Por conseguinte, julga-se que o fado de Lisboa terá tido origem nos cânticos do povo muçulmano, marcadamente dolentes e melancólicos.

Outra especulação encaminha-nos para os trovadores medievais cujas canções contêm características que o fado conserva. Os temas mais recorrentes passam pelo amor, a tragédia, as dificuldades da vida, a saudade, e a crítica política e social daí o seu tom triste e acabrunhado.

Outra conjectura aponta ainda para a origem do fado no lundum, música dos escravos brasileiros que teoricamente terá chegado até nós através dos marinheiros, por volta de 1820, hipótese pouco provável uma vez que se tem o fado como tipicamente Português.

O Fado tem Amália Rodrigues (1920-1999) como o seu ícone maior, nos maiores palcos de todo o mundo, a sua voz interpretou canções como “Povo Que Lavas No Rio”, “Foi Deus”, e “Vou Dar De Beber À Dor”. Outros fadistas fizeram deste estilo musical carreira, entre eles incluem-se: Carlos do Carmo, Carlos Ramos, Alfredo Marceneiro, Fernando Maurício, Hermínia Silva, Lucília do Carmo, Maria Teresa de Noronha, António Mourão, Rodrigo, Tristão de Silva, e Maria Alice, entre muitos outros. Mais recentemente, novas gerações surgiram, das quais se destacam Nuno da Câmara Pereira, Dulce Pontes, Camané, Misia, e Mariza entre outros.

Este estilo de música (“o fado”) está a expandir-se cada vez mais para além fronteiras, os estrangeiros tem cada vez maior curiosidade em tentar compreender o que é o fado, o sentimento que ele transmite, e a sonoridade genuína da guitarra Portuguesa que atrai a alma de quem a escuta.


Artigo elaborado & desenvolvido por;

Paulo Coelho. (“Sá”)

Fonte: Diciopédia 2009,

A web

Hypatia de Alexandria (370 – 415 D.C.) “ÀGORA”


Uma das coisas mais tristes do mundo é a intolerância religiosa, pois todas as religiões deveriam estar baseadas no amor e na compaixão. Alguns dos momentos mais negros da humanidade, algumas das guerras mais sangrentas, algumas das torturas mais cruéis existiram exactamente devido à intolerância religiosa. Um desses casos mais vergonhosos de intolerância foi o assassinato de Hipatia de Alexandria.

Uma raridade no mundo antigo Hipátia Nasceu no Egipto no ano 370 D.C., filha de Theon de Alexandria. Muito cedo Hipátia deu provas do seu talento, tornou-se professora e deu aulas de matemática e filosofia na biblioteca de Alexandria, um dos maiores centros de conhecimento do mundo antigo, além de ter viajado para Itália e Atenas para tirar alguns cursos de filosofia.

Era considerada uma discursante muito carismática, as suas aulas eram bastante concorridas. Escreveu comentários a obras clássicas de matemáticos Gregos. Manteve-se solteira e declarava-se “casada com a verdade”. O conjunto da sua obra é tido como de relevo, e a sua morte, ocorrida em 415 D.C., trágica. Foi o último dos grandes nomes intelectuais a trabalhar na famosa biblioteca de Alexandria, por volta do ano 400 D.C. foi nomeada bibliotecária mor (directora) da referida biblioteca, sucedendo ao seu pai Theon de Alexandria, um conceituado filósofo, matemático, e astrónomo, da altura. Foi também a primeira mulher que a história regista como dedicada á matemática.

Hipátia de Alexandria nasceu no ceio de uma família com forte tradição intelectual. O seu pai Theon de Alexandria já referenciado neste documento como um conceituado, filósofo, matemático, e astrónomo, escreveu uma tese em 11 livros sobre o célebre tratado de “Almagesto” de Ptolomeu, que significa “ O grande tratado”, um tratado de astronomia. Esta obra é uma das mais importantes e influentes da antiguidade clássica. Nela está descrito todo o conhecimento astronómico Babilónico e Grego, nela se basearam a astronomia de Árabes, Indianos, e Europeus, até ao aparecimento da teoria heliocêntrica de Copérnico. No Almagesto, Ptolomeu apresenta um sistema cosmológico geocêntrico, isto é a terra está no centro do Universo e os outros corpos celestes, planetas e estrelas, descrevem órbitas em seu redor. Estas órbitas eram relativamente complicadas resultando de um sistema de epiciclos, ou seja Círculos com centro em outros círculos. Theon de Alexandria realizou ainda uma revisão dos “Elementos” de Euclides, de onde são baseadas as edições mais modernas da obra do conhecido matemático Grego.

As famílias fundadas sobre este lastro intelectual e de projecção social de Alexandria da sua época costumavam ainda cultuar o ideal Grego da “Mente sã, corpo são” (“men sana in corpore sano”). Com esse lema no pensamento, o pai de Hipátia não mediu esforços para torna-la o “ser humano ideal”, ensinando-lhe matemática e filosofia, e levando-a a fazer um programa de preparação física para lhe assegurar um corpo saudável. Todo esse esforço foi compensador.

Quando Hipátia começou a ser retratada a partir do renascimento, o seu rosto ganhou belos traços com um perfil nobre e altivo. Esses traços capturaram de uma certa forma uma projecção positiva que é feita da sua vida e obra, e um certo sentimento de reverência com respeito ao seu fim trágico.

No campo da matemática, Hipátia escreveu comentários sobre a “Aritmética” de Diofanto e as “cónicas” de Apolónio, fez investigações sobre a geometria de Euclides, interessou-se pelas ciências aplicadas, inventou um astrolábio e criou, nos ateliês da biblioteca de Alexandria diversos instrumentos de medida, como um nivelador de água, um higrómetro, e um aparelho para destilar água. O quanto se sabe ela interessou-se particularmente pelo estudo dos planos formados pelas intersecções de um cone e pelas curvas decorrentes dessas intersecções, as chamadas intersecções cónicas (hipérboles, parábolas, e elipses). A maior parte da obra escrita por Hipátia perdeu-se no tempo; mas no século XV foi encontrado na biblioteca do Vaticano uma cópia do seu comentário sobre a obra do matemático Grego Diofanto.

Devido á sua ambientação cultural e á influência da educação recebida do pai, é certo que Hipátia conheceu e estudou a obra do astrónomo Ptolomeu. A partir de cartas escritas por Sirénius, um dos seus alunos, sabemos hoje que Hipátia dedicou bastante tempo às suas actividades culturais desenvolvendo instrumentos mecânicos, alguns deles já aqui mencionados, utilizados para cálculos astronómicos e localização de astros no céu.

Na filosofia Hipátia abraçou a causa neoplatónica (ou “Platonismo”) que na sua época em Alexandria actuava em oposição aos grupos cristãos, fervorosos e actuantes. Ao longo do tempo, o cristianismo, por assim dizer, dominou e até mesmo assimilou o que lhe interessava do neoplatonismo, que na época era considerada uma filosofia pagã; isto aconteceu em Alexandria e por todo o mundo Romano.

Disputas religiosas e conflitos entre lideranças de Alexandria, apoiados por correntes religiosas, atraíram a ira dos devotos cristãos contra a “herege” Hipátia. A matemática, e a filosofia eram consideradas a face visível do neoplatonismo na cidade de Alexandria.

Existem várias versões sobre o seu trágico final, todas coerentes entre si, sendo que a mais difundida é a variante registada por Edward Gibbon, no seu livro “O Declínio e a queda do Império Romano”. Nesta versão numa manhã da quaresma de 415 D.C., Hipátia foi atacada na rua, por uma turba de cristãos quando regressava a casa na sua carruagem. A multidão enfurecida arrancou-lhe os cabelos e a roupa, esfolo-a com conchas de ostras, arrancaram-lhe os braços e as pernas, e queimaram-lhe o que sobrou do seu corpo. Atitude de uma verdadeira devoção bárbara.

O impacto dramático da morte de Hipátia fez com que no ano em que ocorreu alguns historiadores o interpretassem como o marco do fim do período antigo da matemática Grega. Para outros este desfecho só ocorrerá cerca de 100 anos mais tarde com a morte de Boécio também de uma forma trágica. Entretanto a morte de Hipátia de um certo ponto de vista sinaliza o fim de Alexandria como fonte do centro de maior conhecimento da matemática Grega da antiguidade.

A vida, a obra e a morte trágica de Hipátia despertaram a atenção de filósofos, matemáticos, e historiadores que a sucederam. Damáscio, um dos seus antigos alunos, que mais tarde se tornou num crítico severo do seu trabalho, escreveu que ela era “por natureza, mais talentosa e refinada do que o seu pai”. Intelectuais desde Voltaire a Carl Sagan, passando por Bertrand Russel dedicaram-lhe comentários de apreço e reconhecimento. A sua vida foi reconstituída num romance de Charles Kingsley, (“Hypátia, or new foes an old face”. New York: E.P. Dutton, 1907), e contada por Maria Dzielsk (“Hypátia of Alexandria”, Trad. F. Lyra, Cambridge, M.A. Harvard Press, 1995).

Recentemente o conhecido Realizador Espanhol de cinema Alejandro Amenabar (“Mar adentro”, 2004) dedicou um filme á vida de Hipátia (“Ágora”), que é representada pela actriz Inglesa Rachel Weisz. No Filme, Ágora exibido no último festival de cinema de Cannes, fora da competição, não são apresentados os detalhes do final trágico de Hipátia de Alexandria descritos por Edward Gibbon. Hipátia de Alexandria é retratada como uma “mulher agnóstica e letrada, destruída por fanáticos Religiosos. Alejandro Amenabar declarou que o seu filme podia ser interpretado como uma espécie de reflexão sobre os fundamentalismos religiosos de todos os tempos.

Para terminar este artigo, deixo aqui uma frase da própria Hipátia que me parece sintomática da grande inteligência desta mulher cuja existência bastaria para provar que seja qual for o ramo das ciências aplicadas, estes não são sexistas.

Defende o teu direito de pensar, porque mesmo pensar de modo erróneo é melhor  do que não pensar. . .

Hipatia de Alexandria 370/415 D.C.

TRABALHO ELABORADO & DESENVOLVIDO POR:

PAULO COELHO. (“SÁ”)

A ESCÓLA DO PARAÍSO


Nesta obra, o autor, José Rodrigues Miguéis traça a evolução de uma família Lisboeta durante a maior parte do século XX. Parte dessa gente obscura que a capital atrai a si, para a formar, absorver, desagregar, e dissolver, por fim, no anonimato original: dela guardando, acaso, rasto de ternura, revolta e esperança – a dos que à vida respondem com actos de vida, procurando a salvação na labuta, no sonho, e eventualmente nos ideais.

Através dos olhos atentos e pasmos de uma criança, é-nos dado um ambiente e uma época – os anos que imediatamente precederam e seguiram a implantação da República. Justapõe-se na paisagem assim descrita a lenda e a verdade, a fantasia e o senso comum, dramas da rua e folclore, alegrias e desilusões, bondade e sordidez – tudo o que constitui o aprendizado chocante e sedutor graças ao qual Gabriel, o pequeno protagonista, irá integrando a sua limitada esfera pessoal de criança no vasto mundo adulto que o rodeia, universo bizarro e muitas vezes incompreensível que, ao mesmo tempo, o fascina e amedronta.

Inventário prodigioso de uma época, devassa, apaixonada de uma cidade e dos seus habitantes.

Leitura que recomendo, ás gerações mais jovens para interiorizarem o profundo enraizamento da realidade humana nacional á época dos nossos avôs e Bisavôs.

José Rodrigues Miguéis


Escritor neo-realista nascido em 1901, em Lisboa, e falecido em 1980, em Nova Iorque, cidade para onde emigrou em 1935. Ainda em Lisboa, foi professor e advogado; nos EUA foi tradutor e redactor do Reader’s Digest, tendo-se tornado mais tarde professor universitário. Páscoa Feliz, novela escrita em 1932 (Prémio Casa da Imprensa), marca o início de uma brilhante carreira literária, confirmada por obras como Leah, contos e novelas (1958, Prémio Castelo Branco), A Escola do Paraíso (1960), Nikalai! Nikalai! (1971) e muitas outras.