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JOAN MIRÓ i FERRÀ «1893-1983»


JOAN MIRÓ (1893 - 1983)

Contemporâneo do fauvismo e do cubismo, Miró criou sua própria linguagem artística e procurou retratar a natureza como o faria o homem primitivo ou uma criança, que tivesse, no entanto, a inteligência de um homem maduro do Século 20.

Joan Miró nasceu em Barcelona, Espanha, a 20 de Abril de 1893. Apesar da insistência do pai em vê-lo licenciado, não completou os estudos. Frequentou uma escola comercial e trabalhou num escritório durante dois anos até sofrer um esgotamento nervoso. Em 1912, os seus pais finalmente consentiram que ingressasse na escola de arte belas artes de Barcelona. Estudou com Francisco Galí, que o apresentou às escolas de arte moderna de Paris, transmitiu-lhe sua paixão pelos frescos de influência bizantina das igrejas da Catalunha e o introduziu à fantástica arquitectura de António Gaudí.

Os primeiros trabalhos receberam a influência dos pós-impressionistas, especialmente de Vincent Van Gogh e depois de Matisse. Instalou-se em Paris em 1920, e aí conheceu Picasso. Integrou-se no movimento surrealista e participou na primeira exposição surrealista em 1925.

Miró trazia intuitivamente a visão despojada de preconceitos que os artistas das escolas fauvista e cubista buscavam, mediante a destruição dos valores tradicionais. na sua pintura e desenhos, tentou criar meios de expressão metafórica, ou seja, descobrir signos que representassem conceitos da natureza num sentido poético e transcendental. Nesse aspecto, tinha muito em comum com dadaístas e surrealistas.

De 1915 a 1919, Miró trabalhou em Montroig, próximo a Barcelona, e em Maiorca, onde pintou paisagens, retratos e nus. Depois, viveu em Montroig e Paris alternadamente. De 1925 a 1928, influenciado pelo dadaísmo, pelo surrealismo e principalmente por Paul Klee, pintou cenas oníricas e paisagens imaginárias. Após uma viagem aos Países Baixos, onde estudou a pintura dos realistas do século XVII, os elementos figurativos ressurgiram nas suas obras.

Na década de 1930, os seus horizontes artísticos ampliaram-se. Fez cenários para balés, e os seus quadros passaram a ser expostos regularmente em galerias francesas e americanas. As tapeçarias que realizou em 1934 despertaram o seu interesse pela arte monumental e mural. Estava em Paris no fim da década, quando eclodiu a guerra civil espanhola, cujos horrores influenciaram sua produção artística desse período.

No início da segunda guerra mundial voltou à Espanha e pintou a célebre “Constelações”, que simboliza a evocação de todo o poder criativo dos elementos e do cosmos para enfrentar as forças anónimas da corrupção política e social causadora da miséria e da guerra.

A partir de 1948, Miró mais uma vez dividiu o seu tempo entre a Espanha e Paris. Nesse ano iniciou uma série de trabalhos de intenso conteúdo poético, cujos temas são variações sobre a mulher, o pássaro e a estrela. Algumas obras revelam grande espontaneidade, enquanto em outras se percebe a técnica altamente elaborada, e esse contraste também aparece nas suas esculturas. Miró tornou-se mundialmente famoso e expôs seus trabalhos, inclusive ilustrações feitas para livros, em vários países.

Executou murais de grandes dimensões, nomeadamente para a Exposição Universal de Paris de 1937 e para a Universidade de Harvard, em 1950, e murais em cerâmica para a sede da Unesco em Paris, em 1955. Fez peças em cerâmica originais, semelhantes às figuras que povoam os seus quadros.


Em 1954, ganhou o prêmio de gravura da Bienal de Veneza e, quatro anos mais tarde, o mural que realizou para o edifício da UNESCO em Paris ganhou o Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1963, o Museu Nacional de Arte Moderna de Paris realizou uma exposição de toda a sua obra. Joan Miró morreu em Palma de Maiorca, Espanha, a 25 de Dezembro de 1983.

DIEGO VELÁSQUEZ – OBRAS


AS MENINAS

Nomeada originalmente como A Família, a tela foi salva de um incêndio que atingiu o Palacio Real de Madrid em 1750, passando ao Museu do Prado em 1819 e recebendo, posteriormente, o título de Las Meninas. Embora “menina” seja uma palavra da língua portuguesa, era usada na corte espanhola com o sentido de “dama de companhia”.
É uma das obras pictóricas mais analisadas e comentadas no mundo da arte. Como tema central amostra a infanta Margarida de Áustria, apesar que a pintura apresenta outras personagens, incluída o próprio Velázquez.
O artista resolveu com grande habilidade os problemas de composição do espaço, a perspectiva e a luz, graças ao domínio que tinha do tratamento das cores e tons junto com a grande facilidade para caracterizar as personagens.
Um espelho colocado na parte do fundo da pintura reflete as imagens do rei Filipe IV da Espanha e a sua esposa Mariana de Áustria, segundo uns historiadores, entrando na sessão de pintura, e segundo outros, posando para ser retratados por Velázquez; neste caso seria a infanta Margarida e os seus acompanhantes os que vinham de visita para ver a pintura dos reis.
CRISTO NA CASA DE MARTA & MARIA
Como o título indica, a obra aborda uma temática religiosa, situação que predominava na pintura de Sevilha na época.
A cena principal, no entanto, acontece em um segundo plano da composição, pois pessoas comuns ocupam o primeiro plano.
O que Velázquez fez foi trazer o tema religioso para o cotidiano popular da época.
Esta abordagem de Velázquez é contrária (e inovadora) àquilo que caracterizava a pintura de Sevilha.
Ele introduziu elementos próprios da pintura de Natureza-Morta, como alimentos, objetos e utensílios domésticos, e da Pintura de gênero, como os afazeres domésticos, na representação de uma passagem bíblica (sobre arte com temática religiosa.
O TRIUNFO DE BACOS
A pintura apresenta uma cena em que aparecem o deus Baco coroando, com uma coroa de folhas de videira, um dos sete bêbados a sua volta.
O homem coroado pode ser um poeta inspirado pelo vinho. Outro personagem semi-mitológico observa a coroação.
Alguns dos personagens que acompanham a coroação olham para o espectador e sorriem.
Baco é representado como o deus que recompensou ou presenteou o ser humano com o vinho, que temporariamente os livra de seus problemas.
Na literatura barroca, Baco é considerado uma alegoria sobre libertação humana da escravidão da vida diária.
É possível que Velázquez tenha feito uma paródia da alegoria, por considerá-la medíocre.
Na obra, o deus é representado como uma pessoa, mas sua pele é mais clara que a dos demais, para que possa ser mais facilmente reconhecido.
A cena pode ser dividida em duas partes. À esquerda, há a figura de Baco, bem iluminada, semelhante ao estilo italiano inspirado por Caravaggio.
Baco e o personagem atrás dele remetem à mitologia clássica e são representados da maneira tradicional.
Nota-se a idealização da face do deus, a luz que o ilumina e um estilo mais classicista.
O lado direito apresenta alguns bêbados, homens da rua que nos convidam a entrar na festa, com uma atmosfera bem espanhola, similar ao estilo de José de Ribera.
Não há nenhuma idealização neles, que apresentam faces grandes e desgastadas.
A luz que ilumina Baco não está presente neste lado, e as figuras são imersas em um chiaroscuro evidente. Ademais, as pinceladas são mais impressionistas.
Velázquez introduz nesta obra um aspecto provando em um assunto mitológico, uma tendência que ele viria a cultivar mais durante os anos seguintes.
Há vários elementos que dão naturalismo à obra, como a garrafa e o jarro que aparecem no chão, próximas ao pé do deus, e o realismo do corpo da divindade.
Jogando com o brilho, Velázquez deu relevo e texturas à garrafa e ao jarro, criando algo similar a uma natureza morta. Estes objetos são bastante similares aos que aparecem em pinturas do período sevilhano de Velázquez.

VENUS AO ESPELHO

Vénus olhando-se ao espelho ou La venus del espejo é uma pintura de Diego Velázquez (1599-1660) que se encontra na National Gallery em Londres, onde é exibida como The Toilet of Venus ou The Rokeby Venus. O apelido “Rokeby” provém de que durante todo o século XIX estava no Rokeby Hall de Yorkshire. Anteriormente pertenceu à Casa de Alba e a Godoy, época na que seguramente se conservava no Palácio de Buenavista de Madrid.

A obra representa a deusa Vênus numa pose erótica, deitada sobre uma cama e olhando a um espelho que sustém o deus do amor sensual, o seu filho Cupido. Trata-se de um tema mitológico ao que Velázquez, como é usual em ele, dá trato mundano. Não trata a figura como uma deusa senão, simplesmente, como uma mulher. Esta vez, porém, prescinde do toque irônico que emprega com Baco, Marte ou Vulcano.

A RENDIÇÃO DE BREDA

Velázquez desenvolve o tema sem vanglória nem sangue. Os dois protagonistas estão no centro da cena e parecem dialogar mais como amigos do que como inimigos.

Justino de Nassau aparece com as chaves de Breda na mão e faz ademão de ajoelhar-se, o qual é impedido pelo seu adversário que põe uma mão sobre seu ombro para evitar que se humilhe.

Neste senso, é uma ruptura com a tradicional representação do herói militar, que costumava representar-se erguido sobre o derrotado, humilhando-o. Igualmente afasta-se do hieratismo que dominava os quadros de batalhas.

DIEGO VELÁSQUEZ


DIEGO VELÁSQUEZ

Diego Rodriguez de Silva y Velásquez nasceu em 1599, em Sevilha. Recebeu uma educação esmerada e estudou arte com Francisco Pacheco.

Um dos primeiros trabalhos, Adoração dos Reis Magos (1619), revela a influência de Caravaggio na utilização da luz e da sombra como forma de dar volume às figuras mas possuía já uma atmosfera muito pessoal.

Pintou um retrato de Filipe IV que lhe valeu ser contratado em 1623 para o serviço do rei. Estabeleceu-se em Madrid, revelando no seu estilo um minucioso estudo da natureza e do real.

Aperfeiçoou-se executando inúmeros retratos da corte e quadros históricos. As visitas de Rubens despertaram nele o desejo de conhecer a Itália e conseguiu ser enviado em missão oficial a todas as províncias italianas, comprando obras de arte para a coroa espanhola e tomando conhecimento do trabalho dos melhores artistas.

Encontrou-se com Ribera em Nápoles e estudou particularmente os frescos de Michelangelo Buonarroti e de Rafael e a cor e a luz em Tintoretto e Paolo Veronese.

Ao voltar de viagem, executou trabalhos religiosos e profanos, assim como retratos equestres do rei e do infante.

Sucederam-se as obras-primas A Rendição de Breda (1634), Vénus ao Espelho, Cavalo Branco, os retratos de bobos da corte e as efígies de Esopo e de Menippe.

Executou em Roma o retrato do Papa Inocêncio X que irá, séculos mais tarde, tornar-se uma obsessão na obra de Francis Bacon.

Depois desta segunda viagem a Itália retratou Filipe IV, a rainha Maria Ana, a infanta Margarida e pintou ainda a célebre obra-prima As Meninas (1656), de que se encontram referências na obra de Goya, dos impressionistas, de Picasso, e de Dalí, entre outros. Veio a morrer em Madrid a 6 de Agosto de 1660.

Foi considerado o maior pintor espanhol e um dos precursores da arte moderna.

SALVADOR DALÍ


Fotografia de Salvador Dalí por Jean Dicuzaide, 1951

Pintor espanhol, Salvador Dalí nasceu em Figueras, na Catalunha, a 11 de Maio de 1904 e aí morreu a 20 de Janeiro de 1989. Filho de um prestigiado notário daquela cidade, frequentou a Academia de Belas-Artes de Madrid de 1921 a 1926. Foi aqui, durante a sua estadia na residência de estudantes, que Dalí conheceu e se tornou amigo do poeta Federico García Lorca e do cineasta Luis Buñuel, com os quais viria, mais tarde, a desenvolver alguns projectos. Depois de estudar em Madrid, rumou para Paris onde se instalou e se tornou membro oficial do grupo surrealista.

As simpatias de Dalí pelos regimes de extrema-direita terão levado, mais tarde, Breton a exclui-lo do grupo. Datam desta altura algumas das suas obras mais representativas do surrealismo, como, por exemplo, “A Persistência da Memória”, “O Jogo Lúgubre” e “Grande Masturbador”. Em 1929 conheceu Helena Diakonova, conhecida por Gala Éluard, uma jovem russa que, tendo sido companheira de Paul Éluard, viria a tornar-se na modelo e companheira inseparável de Dalí.


Entre 1928 e 1930, colaborou com Buñuel nos filmes
Un Chien Andalou e L’âge d’Or. Os primeiros quadros surrealistas foram expostos em 1929 e sugerem a influência de De Chirico.

A mistura do real com o irreal é uma característica que se tornará frequente no seu trabalho. Elaborou um método a que chamava “crítico-paranóico”, que implicava o recurso ao inconsciente, na interpretação livre de “associações delirantes”. Possuía uma técnica magistral, que colocou ao serviço de uma imaginação transbordante alimentada pela leitura cuidada de Freud. As imagens oníricas e os claros símbolos sexuais não impediram o público de assimilar a sua obra, que obteve um sucesso enorme, sobretudo depois da Segunda Grande Guerra.


Nos Estados Unidos da América, para onde Dalí e Gala viajaram em 1940 e onde permaneceram durante cerca de oito anos, o artista fez, no Museu de Arte Moderna de Nova York, a sua maior exposição. Escreveu ainda
A Vida Secreta de Salvador Dalí e trabalhou por diversas vezes para o cinema, teatro, ópera e bailado. Em 1974 inaugurou o Teatro-Museu de Figueras, onde se encontra exposta uma grande parte da sua obra, e, em 1983, criou a Fundação Gala-Salvador Dalí, uma instituição que gere, protege e divulga o seu legado artístico e intelectual.


Morreu em 1989, sete anos depois de Gala, e foi sepultado, como era seu desejo, no Teatro-Museu que o próprio Dalí criou e ao qual deu o seu nome.

PABLO PICASSO!


Pablo Picasso


Artista espanhol, nasceu em 1881, em Málaga, e faleceu em 1973. Pablo Ruiz y Picasso demonstrou uma prodigiosa precocidade.

Aos dezassete anos possuía uma técnica apurada e em Paris, no início do século, embora se mantivesse afastado dos grupos de vanguarda, tinha já uma reputação.

Entre 1901 e 1906 desenvolve uma atitude social, evocando os mendigos, os deserdados, o que corresponde ao “período azul”, uma fase sensível e melancólica, em que os azuis predominavam.

O “período rosa” será mais vigoroso. Tematicamente, interessa-se pelo circo, pelos saltimbancos. Mas de 1906 a 1908 preocupa-se menos com os sentimentos e mais com a estrutura. Com Georges Braque, desenvolve uma nova concepção de pintura que dará origem ao Cubismo.

Vários eventos prepararam esta evolução: a revelação da escultura negra e das artes primitivas, a retrospectiva de Seurat no Salão dos Independentes em 1905, a homenagem a Paul Cézanne, no Salão de Outono de 1907 e, em Picasso, o conhecimento da escultura ibérica.

O início do Cubismo pode ser datado a partir de As Raparigas de Avinhão (1907). As cores ainda estão sob a influência do período rosa, mas tornaram-se mais duras, e as personagens constam de formas semi-geométricas expressas como volumes num espaço abstracto.

A atenção foi dirigida para as qualidades puramente formais. Numa primeira fase o Cubismo tem como referência o real, embora adoptando em relação ao objecto vários pontos de vista e os problemas de profundidade e perspectiva deixam de se impor.

Picasso e Braque colam nas telas pedaços de jornais, papeis, tecidos, embalagens de cigarros. Começarão depois a surgir imagens conceptuais do real, como na Natureza-Morta (1911), o que corresponde a uma nova fase na evolução do cubismo e que dará origem a uma viragem ainda mais radical na História da arte.

As formas já não são directamente inspiradas pelo real, a sugestão do volume é definitivamente abandonada, os planos são segmentados em planos de cor viva, por vezes texturada. Nos anos vinte inicia o seu período “greco-romano”, com temas clássicos como em Mãe e Filho (1921) e nas figuras de centauros e faunos.

Este período teve a sua origem na descoberta da arte italiana e numa colaboração estreita com Diaghilev, projectando os cenários e o guarda-roupa dos bailados Parada (1917), Pulcineia, (1920) e Mercúrio (1924). Minotauromaquia é um dos principais trabalhos dos anos trinta e fundamental para a compreensão de Guernica, obra que representa a destruição da cidade de Guernica pelos bombardeiros alemães, um episódio da Guerra Civil de Espanha.

Os elementos principais são o touro, simbolizando “a brutalidade e a escuridão”, o cavalo, como símbolo do “povo sofredor”, e a rapariga com uma luz. Este painel foi proibido pelo governo franquista e tornou-se emblemático de um período de comprometimento político.

Nesta época as deformações das imagens são acentuadas, a expressão é trágica. O fim da guerra traz mais serenidade e alegria à sua pintura.

Na Provença, multiplica as experiências e as matérias, cria esculturas, trabalha com cerâmica. No último ciclo da sua pintura, o artista questiona as obras de Delacroix, de Velásquez e o contemporâneo Matisse, sob pretexto de concretizar o tema da criação, do pintor e do modelo.

Picasso foi sempre um criador muito pessoal, nunca se prendeu a fórmulas, criava estéticas, combinava-as, renovava esquemas mais tradicionais. Embora marcada pelo Cubismo, a sua arte evocará sempre múltiplas metamorfoses. Segundo o próprio Picasso, os estilos que usou “não devem ser considerados como evolução, mas como variação”.

LEONARDO DA VINCI


Homem vitruviano Da vinci

O filho ilegítimo de um notário de 25 anos de idade, Sir Piero da Vinci, e uma camponesa chamada, Catarina, Leonardo nasceu a 15 de Abril de 1452, em Vinci, na Itália, nos arredores de Florença.

O seu pai adquiriu a custódia do menino logo após o seu nascimento, quando a sua mãe se casou com outro alguém e se mudou para uma cidade vizinha.

Os seus pais continuaram a ter filhos, embora não um com o outro, e  acabaram por  lhe fornecer um total de 17 meias-irmãs e irmãos …

Crescendo na casa de seu pai, Leonardo cedo teve acesso a textos académicos, propriedade da família e amigos.

Ele também foi exposto a tradição da pintura de longa data dos Da Vinci, e quando ele tinha uns 15, o pai colocou-o na oficina de renome de Andrea del Verrochio, em Florença.

Mesmo na condição de aprendiz, Leonardo demonstrou o seu talento colossal. Na verdade, o seu génio parece ter vazado em inúmeras peças produzidas pela oficina de Verrocchio a partir do período de 1470-1475.

Por exemplo, um dos primeiros grandes trabalhos de Leonardo era pintar um anjo em, Verrochio o “Baptismo de Cristo”, e Leonardo foi muito melhor do que seu mestre Verrochio que ao ver o trabalho exclamou, meu Deus há alguém que pinta melhor que eu, aparentemente a partir dessa data Verrochio nunca mais voltou a pintar novamente, dedicando-se exclusivamente á escultura.

Leonardo esteve no atelier de Verrocchio até 1477, quando decidiu montar o seu próprio atelier.

Em busca de novos desafios e quantias chorudas, Leonardo da Vinci mudou-se para Milão, e entrou ao serviço do duque de Milão, em 1482, abandonando a sua primeira Obra artística remunerada em Florença, “A Adoração dos Magos”. Ele passou 17 anos em Milão, deixando Milão, apenas após a queda do duque Ludovico Sforza do poder em 1499. Foi durante estes anos que Leonardo logrou, alcançar novos patamares de realização científica e artística.

O duque manteve ocupado Leonardo na pintura, escultura e desenho, na projecção de elaborados festivais da corte, mas também colocou Leonardo a projectar armas, edifícios e máquinas.

De 1485 até 1490, Leonardo produziu um estudo sobre a carga de disciplinas, incluindo a natureza, máquinas voadoras, geometria, mecânica, construção municipal, canais e arquitectura (desenho de tudo, desde as igrejas a fortalezas).

Os seus estudos desse período contêm desenhos de armas avançadas, incluindo um tanque de guerra e outros veículos, dispositivos de combate diversos, e submarinos.

Também durante este período, Leonardo produziu os seus primeiros estudos anatómicos. A sua oficina de Milão era um verdadeiro frenesim de actividade, zunindo com os aprendizes e estudantes.

Infelizmente, os interesses de Leonardo eram tão vastos, que ele foi muitas vezes impelido  para novos temas, o que geralmente fazia com que não conseguisse terminar alguns trabalhos. Esta falta de rigor resultou na  conclusão apenas de cerca de seis obras nestes 17 anos, incluindo “A Última Ceia” e “O Virgem das Rochas”, e deixou dezenas de obras e projectos inacabados ou por realizar. Ele passou a maior parte do seu tempo a estudar a ciência, quer na natureza a observar as coisas, ou fechando no seu atelier afastado da corte pensando verdades universais.

Entre 1490 e 1495 ele desenvolveu o hábito de gravar os seus estudos em cadernos meticulosamente ilustrado. O seu trabalho abrangeu quatro temas principais: a pintura, a arquitectura, os elementos da mecânica e anatomia humana. Estes estudos e esboços foram colectados em vários códices e manuscritos, que agora são coleccionados por museus e particulares (Bill Gates recentemente pagou cerca de $ 30 milhões pelo Codex Leicester!).

De volta a Milão … após a invasão dos franceses e a queda de Ludovico Sforza do poder em 1499, Leonardo foi obrigado… a procurar um novo patrono. Durante os próximos 16 anos, Leonardo trabalhou e viajou por toda a Itália por uma série de entidades patronais, incluindo os vilões Cesare Borgia.

Ele viajou durante um ano com o exército de Bórgia como engenheiro militar e até conheceu Niccolo Machiavelli, autor de “O Príncipe”. Leonardo projectou também uma ponte para a extensão do chifre de ouro “em Constantinopla durante este período e recebeu uma encomenda, com a ajuda de Maquiavel, para pintar a” Batalha de Anghiari “.

Por volta 1503, Leonardo começou a trabalhar segundo as informações recebidas na pintura a “Mona Lisa”. A 9 de Julho de 1504, recebeu a notícia da morte de seu pai, Sir Piero. Através dos artifícios e  intromissão dos seus meios irmãos e irmãs, Leonardo viu-se privado de qualquer herança.

A morte de um tio querido também resultou numa uma briga sobre a herança, mas desta vez Leonardo levou a melhor sobre as intrigas dos seus irmãos e acabou por herdar as terras e o dinheiro do tio.

De 1513 a 1516, trabalhou em Roma, na manutenção de uma oficina a realizar uma variedade de projectos para o Papa. Continuando os seus estudos de anatomia e fisiologia humana, mas o Papa proibiu-o de dissecar cadáveres.

Após a morte do seu patrono Giuliano de Médici, em Março de 1516, foi lhe oferecido o título de Premier pintor, engenheiro e arquitecto do rei Francisco I de França.  Talvez o seu último e mais generoso patrono, Francisco I, concedeu a Leonardo um trabalho confortável, incluindo uma mansão perto do palácio real de Amboise.

Apesar de sofrer de uma paralisia da mão direita, Leonardo ainda foi capaz de desenhar e ensinar. Ele realizou estudos sobre a Virgem Maria em “A Virgem e o Menino com Santa Ana”, realizou estudos sobre a anatomia de gatos, cavalos, e o dragão, St. George, sobre a natureza da água, os desenhos do Dilúvio, e de várias máquinas .

Leonardo morreu em 2 de maio de 1519 em Cloux, França. Diz a lenda que o rei Francisco estava ao seu lado quando ele morreu, apoiando a cabeça de Leonardo nos seus braços.

LEONARDO O HOMEM DA RENASCENÇA

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Além de ser apenas  a pessoa mais inteligente de sempre, Leonardo é relatado por ter sido um homem extraordinariamente belo, com grande força e uma voz fina. E ao contrário de seus colegas italianos do século 15, ele era vegetariano e seguiu estritamente as regras da dieta. Na verdade, ele amava tanto os animais que ele costumava comprar animais enjaulados no mercado apenas para libertá-los.

LEONARDO O CANHOTO

Numa época em que ser canhoto era considerado obra do diabo e os canhotos eram frequentemente forçados a usar a mão direita, Leonardo era canhoto impenitente. Tem sido sugerido que essa diferença “foi um elemento do seu génio, dado que o seu desprendimento lhe permitia ver para além do normal. Ele escrevia da direita para a esquerda, os seus escritos são facilmente decifrados apenas com um espelho.

O ESCUDO ASSUSTADOR

Diz a lenda que Leonardo jovem foi convidado pelo pai a pintar um escudo redondo. Como muitos adolescentes, ele pensou que seria interessante pintar uma cabeça realmente assustadora, ele trouxe todos os tipos de vermes – lagartos, morcegos, larvas, etc – e pintou um monstro nojento exalar fumo e gás tóxico. Ele estava tão absorto na sua pintura, que ele não percebeu que os seus espécimes tinham começado a apodrecer, e quando ele finalmente permitiu que o seu pai visse a pintura o homem ficou tão assustado com seu realismo que se apercebeu que o seu filho só poderia ser um artista.

O GRANDE CAVALO

O Grande cavalo

Vinte e três metros de altura e pesando quase 80 toneladas, uma escultura gigantesca em bronze do falecido Duque de Milão, a cavalo provou ser muito desafiadora, mesmo para Leonardo. Leonardo foi contratado para fazer apenas uma estátua em tamanho real, que já era uma tarefa difícil, mas o seu empregador, Ludovico Sforza, em seguida, decidiu que a homenagem a seu pai deve ser quatro vezes maior. Durante anos, Leonardo estudou o movimento dos cavalos, fazendo inúmeros esboços,  ele desenvolveu técnicas de fundição. Infelizmente, na altura os franceses invadiram Milão e depuseram o Duque, Leonardo tinha conseguido apenas fazer um modelo em argila de 22 pés, que os soldados franceses utilizaram para a prática de tiro ao alvo.

Michelangelo Buonarroti 1475-1564


O legado artístico de Miguel Ângelo constitui uma demonstração de génio. A ele se devem obras imortais tais como: na pintura, os frescos da capela sistina, o Juízo final no mesmo local, 2 frescos na Capela Paulina, na escultura o “David”, a Pietà, Baco, as 2 Tumbas dos Médici, e o “Moisés”, e na arquitectura a cúpula da Basílica de São Pedro no Vaticano, remodelou a praça do Capitólio Romano e projectou vários edifícios.

O humanismo renascentista, da que o genial artista constitui uma figura pragmática, levou-o também a escrever uma notável obra literária, tanto em prosa como em verso.

Miguel Ângelo di Lodovico Buonarroti Simoni, nasceu em Caprese, uma localidade próxima da cidade de Toscana de Arezzo, em Itália a 6 de Março, de 1475.

Ele desenvolveu o seu trabalho artístico durante mais de setenta anos entre Florença e Roma, onde viveram seus grandes mecenas, a família Medici de Florença, e vários papas romanos.

Ainda em criança, mudou-se com a sua família para Florença, onde em 1488, entrou como aluno para o ateliê de pintura dos irmãos David, e Domenico Ghirlandaio, onde aprendeu as técnicas de pintar frescos e painéis, fazendo-se logo notar pela firmeza e força do seu traço.

No ano seguinte, graças ao patrocínio de Lourenço o Magnífico, passou a estudar escultura com Bertoldo di Giovanni no jardim onde a família senhorial de Florença conservava uma valiosa colecção de esculturas antigas. Tendo o seu talento sido logo reconhecido, tornou-se um protegido dos Medici, para quem realizou várias obras, vindo a frequentar a sua casa e o círculo intelectual de que se faziam rodear.

Após a morte de Lourenço o Magnifico, em 1492, e pouco antes da expulsão da família Medici pelo pregador e reformador religioso Girolamo Savonarola, Miguel Ângelo fugiu para Bolonha, onde, sob a influência de Jacopo della Quercia, esculpiu três estátuas para o túmulo de são Domingos.

A sua estadia em Roma, de 1496 a 1501 onde esculpiu “Baco”, antes de se voltar para a temática de inspiração religiosa que dominaria a sua arte a partir de 1498. A sua grande obra do período é a “Pietà” de mármore que se encontra na basílica de São Pedro, na qual a cena trágica contrasta com a serenidade do juveníssimo rosto da Virgem.

De volta a Florença, esculpiu em madeira a “Crucificação” (autenticada somente em 1965), que doou a uma igreja como agradecimento por lhe terem permitido estudar os cadáveres ali conservados.

Em Florença, em 1501, recebeu a incumbência de realizar as 15 figuras da capela Piccolomini da catedral de Siena e o colossal “David” de mármore, concluído em 1504. Esta estátua está hoje na Academia de Belas-Artes de Florença, e veio a converter-se na encarnação do espírito e da força da cidade.

Ainda em 1501, Miguel Ângelo começou a pintar o fresco “Batalha de Cascina” para a sala do conselho do Palazzo Vecchio florentino. Essa grande pintura, posteriormente destruída, suscitou uma autêntica rivalidade entre o artista e Leonardo da Vinci, que estava a pintar “A batalha de Anghiari” na parede oposta.

O papa Júlio II chamou o já célebre génio toscano a Roma, em 1505, para o incumbir de fazer um grande mausoléu com mais de quarenta figuras em tamanho real. O projecto, que não chegou a ser concluído, acarretou muitos problemas para Miguel Ângelo, desde a assistência inadequada na execução do projecto à falta de pagamento. O escultor desentendeu-se então com o papa e fugiu de Roma.

Em Florença, Piero Solderini convenceu-o a justificar-se. Júlio II encomendou-lhe então uma estátua em bronze para a igreja de São Petrônio, concluída em 1508. Nesse mesmo ano, Miguel Ângelo recebeu o primeiro pagamento do papa para iniciar a ampliação da capela Sistina, cujos frescos pintou até 1512. Embora tenha trabalhado como pintor a contragosto, preferia a escultura, realizou na capela Sistina frescos tidos como a expressão máxima da arte pictórica do Renascimento.

Os Medici adquiriam, reconquistaram o poder em Florença em 1512, e os papas Leão X e Clemente VII, membros dessa família, encarregaram Miguel Ângelo de vários projectos a serem realizados em Florença, onde o artista residiu ocasionalmente entre 1514 e 1534.

Em 1513 o artista conseguiu renegociar o contrato do mausoléu com os descendentes de Júlio II. O projecto foi reduzido e Miguel Ângelo idealizou para o sepulcro a sua célebre estátua “Moisés”, de mármore, e duas figuras flageladas de escravos.

Em 1520, Miguel Ângelo comprometeu-se a projectar uma capela mortuária na igreja de São Lourenço, que deveria abrigar os túmulos da família Medici e, em 1524, Clemente VII encarregou-o do projecto da Biblioteca Laurenziana.

No cenotáfio dos Medici, as estátuas de Juliano e Lourenço o Magnífico, dispostas em nichos sobre as tumbas, representaram um novo ponto de partida no campo da escultura funerária. Sob elas, Miguel Ângelo acrescentou quatro figuras em mármore que representam o mundo terreno em escalas do dia: “Aurora”, “Dia”, “Crepúsculo” e “Noite”. Também construiu o recinto solene da capela que, apesar da extrema simplicidade das linhas arquitectónicas, é para muitos a maior obra do artista.

No período republicano que se seguiu à queda dos Medici, Miguel Ângelo colaborou activamente na vida pública florentina e projectou a fortificação da cidade contra os ataques dos exércitos papal e imperial.

Alternou o trabalho em outras áreas com a criação de uma obra poética de grande sensibilidade, escrita a partir de 1530. O conjunto dos seus textos, com justiça caracterizados como uma “biografia espiritual”, reúne mais de 300 sonetos, madrigais e outros tipos de poemas, inclusive fragmentos inacabados.

Em 1534, nomeado pelo papa Paulo III, escultor, pintor e arquitecto oficial do Vaticano, Miguel Ângelo, fixou residência definitiva em Roma.

Entre 1536 e 1541, realizou no altar da capela Sistina o grande fresco “Juízo final”. A gigantesca composição aparece dominada pela vigorosa figura de Cristo que, como juiz universal, ordena a salvação dos bem-aventurados e o castigo dos pecadores. A obra reflecte de forma dramática as inquietudes espirituais do já idoso Miguel Ângelo.

Em 1538, transferiu a estátua do imperador Marco Aurélio para o centro da praça do Capitólio, que ele reorganizou.

Nos seus últimos anos de vida, os encargos e projectos do artista foram principalmente obras de arquitectura. A partir de 1546, criou as janelas do segundo andar e a grande ante sala do Palazzo Farnese, em Roma.

A partir de 1547, conduziu as obras na basílica de São Pedro; a grande cúpula da basílica é de sua autoria. Entre as esculturas dos seus últimos anos, destaca-se a “Pietà Rondanini”.

Entre 1561 e 1564 construiu, dentro das ruínas das termas de Diocleciano, a grande igreja Santa Maria degli Angeli.

Celebrado como grande personalidade artística de seu tempo, Miguel Ângelo morreu em Roma, a 18 de Fevereiro de 1564, aos 88 anos de idade.

Ainda em vida foi considerado o maior artista de seu tempo; chamavam-no de o Divino, e ao longo dos séculos, até os dias de hoje, vem sendo considerado na mais alta conta, parte do reduzido grupo dos artistas de fama universal, de facto como um dos maiores que já viveram e como o protótipo do génio. Miguel Ângelo foi um dos primeiros artistas ocidentais a ter a sua biografia publicada ainda em vida. A sua fama era tal que, como nenhum artista anterior ou contemporâneo seu, sobrevivem registos numerosos sobre a sua carreira, personalidade, e objectos que ele usara ou simples esboços para as suas obras eram guardados como relíquias por uma legião de admiradores. Para a posteridade Miguel Ângelo permanece como um dos poucos artistas que foram capazes de expressar a experiência do belo, do trágico e do sublime numa dimensão cósmica e universal.

ARTIGO ELABORADO POR PAULO COELHO (“SÁ”)

FONTE:

Enciclopédia Livre,

Diciopédia 09,

Dicionário Enciclopédico