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ANTÓNIO PAISANA E SALVADOR MENDES DE ALMEIDA SALVADOR


Salvador Pereira Palha Mendes de Almeida nasceu em lisboa a 13 de Março de 1982. Em 2 de Agosto de 1998 sofreu um acidente que o deixou tetraplégico. É formado em Marketing e publicidade pelo Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing, IADE. É presidente da fundação Salvador que fundou no ano de 2003.

António Lino Netto Paisana nasceu a 28 de Janeiro de 1980, em Lisboa. Estudou Direito na Universidade Católica de Lisboa (1998 – 2004), tendo terminado a agregação à ordem dos advogados em Outubro de 2006.

            Durante o curso viveu um ano na Grécia, em Tessalónica (2001 – 2002) no âmbito do programa Erasmus. Em Setembro de 2006 publica o seu primeiro romance, “Erasmus de Salónica”. Em 2007 foi um dos fundadores da revista Lisbon Golden Guide, sendo à presente data o seu director.

 

PREFÁCIO

                Já não o via há muito tempo. Aliás não me lembrava de o ter encontrado como “pessoa”. A recordação que tinha dele era de um “doente” com uma fractura de coluna cervical muito grave, que sofrera todas as complicações que podem suceder neste tipo de traumatismos. De tudo isto ele escapara porque fora muito bem tratado por uma equipa de médicos do hospital de Santa Maria (estou à vontade para o dizer, porque só estive indirectamente ligado ao caso), mas esse período terrível sumira-se no alçapão misericordioso que a memória por vezes abre para sepultar para sempre o sofrimento.

                Agora, no meu gabinete, numa cadeira que me pareceu pronta para uma corrida de formula 1, ele vinha pedir-me umas palavras de introdução para este livro, de uma forma despretensiosa e feliz. O facto de saber que ele tinha as qualidades daqueles que, na outra terra onde vivi, eram classificados como “survivors”, foi razão suficiente para aceitar. E que óptima surpresa fui encontrar!

Esta é a história de um “Salvador” e de um “salvado” que, por acaso, são uma e mesma pessoa – “Salvador”. A história é contada numa única noite (a narrativa nocturna foi uma técnica que Sherazade inventou para não lhe cortarem o pescoço…), em discurso directo a um amigo. Porque sempre entendi que os testemunhos de que vive a doença ou a incapacidade nos ensinam muito mais sobre o sofrimento humano do que muitos tratados de medicina, leio-os sempre com interesse e, quando numa idade em que se pode pensar que já se viu tudo e nada há a aprender, se aprende alguma coisa nova, é sempre razão de júbilo.

De facto, através destas narrativas “patográficas” – ou seja reatos por doentes da sua própria doença – percebe-se melhoro sofrimento de estar doente do ponto de vista ético e técnico. Devo dizer, por exemplo, que passei a utilizar a ideia do Salvador que era a cadeira de rodas que estava presa a ele e não o oposto!

Impressionou-me nesta leitura a sensibilidade, inesperadamente madura, que revela, o tacto com que fala dos sentimentos, a liberdade como trata do amor e da sexualidade, como se a intensidade da tragédia (e o termo não é excessivo) que viveu, lhe tivesse acelerado a vida e o tornara precocemente sábio.

Esta é também uma lição de “esperança prudente”, uma ideia que talvez valha a pena explicar. Tenho dito (e escrito) que o problema da esperança é uma das matérias mais difíceis de tratar no tempo de uma medicina que é por vezes demasiado rápida a celebrar vitórias, algumas bem efémeras, outras enganadoras. A área dos traumatismos medulares é certamente daquelas em que se têm anunciado as curas mais miraculosas, e milhares de doentes têm sido submetidos a intervenções fúteis e, não raramente fraudulentas. Mas, ao mesmo tempo, é também objecto de investigação intensa, sobretudo através de modelos animais que, no entanto, são uma réplica muito rudimentar da função motora dos humanos. Uma das confissões mais pungentes do Salvador é a dificuldade simples de arranjar os lençóis da cama, coisa de que nenhum ratinho se irá algum dia queixar…

Logo no inicio da doença prometeram-lhe, em profecia optimista, que iria andar oito anos depois, e que a cura ia surgir. Mas isso não parece ter sido nunca uma obsessão para o Salvador, e tantas vezes eu verifiquei que este tipo de fixação ou miragem arrisca-se a abafar tudo o resto, e a tal profecia não cumprida acaba por ter consequências terríveis no ânimo do doente. A esperança que aqui é transmitida é aquela que renasce todas as manhãs com a simples alegria de viver mais um dia, e que anima o Salvador nos seus projectos da profissão e da família, porque, quanto ao andar, o Dr. Ascenso tudo esclareceu quando lhe disse: “olho para ti e vejo alguém que anda, que caminha, só que o fazes de forma diferente…”

Só por duas ou três vezes ele conta que terá chorado. É possível que tenham sido mais, porque seria incompreensivelmente desumano ou assumidamente sobrenatural que tal não tivesse acontecido. Mas, igualmente, a interrogação de job “Porquê eu?”, não o assaltou demasiado, e o sentido insondável de certos castigos não parece tê-lo revoltado. Importa sim, sublinhar, que os privilégios do berço que facilitaram a sua reintegração social (para usar a seca terminologia técnica), criaram nele a obrigação sentida de partilha com outros das suas experiências, e para tentar contribuir para criar condições que facilitem a vida de quem sofre deste tipo de “handicaps”. E este é, para mim, outro ponto fundamental que ressalvo, pois a lição evangélica das parábolas do semeador e dos talentos tem para mim um supremo valor moral.

Confesso que li o manuscrito no meu consultório, em pedaços de tempo que iam surgindo entre consultas e operações. E quando interrompia a leitura, porque se sentava na minha frente outro doente e começava a desfiar a sua história, eu sentia-me mais paciente, mais tolerante, mais humano afinal. Por isso, também aqui, devo um pouco ao salvador

Esta é a história de um rapaz que com uma coragem única se fez homem e, porque não perdeu a esperança, se salvou.

João Lobo Antunes

 

“Este livro fala da liberdade interior que é a única que nos permite ser verdadeiramente felizes. O salvador é para todos um testemunho contagiante de alegria, entusiasmo e força de vontade. O seu livro conta uma história de superação que nos comove, que muda o nosso olhar e nos transforma para sempre. Ficamos diferentes depois de o ler.”

 

LAURINDA ALVES

 

“ (…) Lembro-me também como se fosse hoje, de sentir que o céu estava apenas a um palmo de distância, que se eu quisesse poderia tocar as nuvens, sentir a sua textura, e que no instante preciso em que me preparava para o fazer, os meus braços continuavam pregados ao chão. (…) “

IN SALVADOR

 

“ (…) Esta é a história de um rapaz que com uma coragem única se fez homem e, porque não perdeu a esperança se salvou. (…)

JOÃO LOBO ANTUNES´

Para mais informações visite o Site:

Www.associacaosalvador.com

A Associação Salvador, sem fins lucrativos promove a solidariedade pelos interesses e direitos das pessoas com deficiência. Esta instituição desenvolve o seu trabalho em torno de três eixos fundamentais: Investigação cientifica, Sponsorship e um conjunto de Acções anuais com um enfoque nas áreas de: Acessibilidades, Integração, Prevenção Rodoviária, Turismo e Cooperação Internacional.

Este é um livro que recomendo a todos os amantes da leitura ou não, um livro que nos torna diferentes depois de o ler. Ficamos mais humanos, ajuda-nos a perceber e compreender o que por vezes nos parece imcompreencivel… dificil de entender por não termos dificuldades a enfrentar as barreiras fisicas e sociais anda existentes na sociedade dita moderna, sociedade esta construida a pensar na generalidade dos seres humanos e não como acho que deveria ser, uma sociedade adaptada aos cidadões com dificuldades fisicas, dificuldade em transpor as barreiras fisicas e sociais da sociedade do século XXI.

PAULO COELHO

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FERNADO PESSOA (13/06/1888 – 30/11/1935)


Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis

Escritor português, que nasceu a 13 de Junho, de 1888 numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitima de tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, foi viver para esse país entre 1895 e 1905, aí frequentou, o Liceu de Durban.
Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes.
Regressou definitivamente a Lisboa, em 1905, onde frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade.
Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreu a morte da mãe. Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool.

Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paúlismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes, (Alvaro Campos, Alberto Caeiro, e Ricardo Reis).
Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dilecto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-director e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-director e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença.

A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos.

A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. 


 Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar.
Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista.

 Fernado Pessoa comemora hoje 123 anos, sim comemora. Um poéta Lusitano que através do seu legado, se transformou num imortal… entre mortais, a sua obra literária continua actual e a despertar o mesmo interesse que sempre despertou aos ama…ntes da leitura, mesmo com o passar dos anos continua a ser uma referencia se não mesmo a principal referencia da lingua portuguesa a par de José saramago  quer em Portugal, quer no estrangeiro!

Trabalho Elaborado por:

Paulo Coelho

Fonte: a Web

O ANJO BRANCO(José Rodrigues dos Santos)


O ANJO BRANCO (JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS)

 

Baseando-se em factos reais, José Rodrigues dos Santos traz-nos desta vez uma obra sobre Moçambique, os portugueses, a guerra colonial e, sobretudo sobre o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar. 

A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo. O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.

No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda no mato.

Chamam-lhe o Anjo Branco.

Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.

Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial – e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.

 

José Rodrigues dos Santos, dando prova da sua já conhecida e reconhecida capacidade de renovação constante, continua a surpreender. Com efeito, no seu novo romance, adopta um registo mais intimista e revela outra faceta aos seus muitos leitores, numa atitude de desassombro e coragem que não deixará de empolgar e até emocionar.

Este é um livro que todos os portugueses sentirão como muito próximo – pelas experiências, pelos acontecimentos narrados, pela repercussão dos factos.

O ENVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO(José Saramago)


ENVANGELLHO SEGUNDO JESUS CRISTO(JOSÉ SARAMAGO)

Jesus morre, morre, e já vai deixando a vida, quando de súbito o céu por cima da sua cabeça se abre de par em par e Deus aparece, vestido como estivera na barca, e a sua voz ressoa por toda a terra, dizendo, tu és o meu filho muito amado, em ti pus toda a minha complacência.

Então Jesus compreendeu que viera trazido ao engano como se leva o cordeiro ao sacrifício, que a sua vida fora traçada para morrer assim desde o princípio dos princípios, e, subindo-lhe à lembrança o rio de sangue e sofrimento que do seu lado irá nascer e alagar toda a terra, clamou para o céu aberto onde Deus sorria, Homens perdoai-lhe, porque ele não sabe o que faz. Depois, foi morrendo no meio de um sonho, estava em nazaré e ouvia o pai dizer-lhe, encolhendo os ombros e sorrindo também, nem eu posso fazer-te todas as perguntas, nem tu podes-me dar todas as respostas. Ainda havia nele um resto de vida quando sentiu que uma esponja embebida em água e vinagre lhe roçava os lábios, e então, olhando para baixo, deu por um homem que se afastava com um balde e uma cana ao ombro. Já não chegou a ver, posta no chão, a tigela negra para onde o seu sangue gotejava.

 Já que muitos empreenderam compor uma narração os factos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram servidores da palavra, resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expor-tos por escrito e pela sua ordem, ilustre Teófilo, a fim de que reconheças a solidez da doutrina em que foste instruído.´

LUCAS, 1, 1-4

 «É a obra mais polémica de José Saramago e aquela que, indirectamente, o levou a sair de Portugal e a refugiar-se na ilha espanhola de Lanzarote. Ficou para a história o desentendimento com o então subsecretário de estado da Cultura Sousa Lara, que considerou o livro ofensivo para a tradição católica portuguesa e o retirou da lista do Prémio Europeu de Literatura. Com um José destroçado por ter fugido e deixado as crianças de Belém nas mãos dos assassinos de Herodes; com uma Maria dobrada e descrita, logo no início do livro, em pleno acto de conhecer homem; com um Jesus temeroso, um Judas generoso, uma Madalena voluptuosa, um Deus vingativo e um Diabo simpático, não era de esperar outra reacção das almas mais sensíveis e mais devotas do catolicismo português. E verdadeiramente viperinas são as várias páginas onde o escritor português se entretém a descrever minuciosamente os nomes e a forma como morreram os mártires dos primeiros séculos do cristianismo. Assim se escreveram os heréticos Evangelhos segundo Saramago, para irritação de muitos e prazer de alguns. Como convém.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)

O livro O evangelho segundo Jesus Cristo do escritor português José Saramago é uma experiência literária imperdível. Publicado em 1991, o livro tornou-se um dos mais polémicos da carreira do escritor. E também um dos mais vendidos. Por causa dele, Saramago foi duramente criticado e até considerado sacrílego, mas isso apenas confirmou que a sua obra mexe com o leitor.

Quem imagina encontrar apenas crítica à religião está muito enganado. É uma obra que põe em dúvida não só a sacralização da história bíblica, mas também a sacralização científica. A própria linguagem mais próxima da falada (como se fosse um diálogo) já é uma diferenciação da linguagem sagrada das escrituras.  Não se trata, entretanto, de um livro realista e sim de uma tentativa de contar uma história de um ponto de vista humano. Para isso, o foco do livro é um Jesus humanizado.

Todo o primeiro capítulo do livro é uma descrição detalhada de uma gravura medieval que representa a cena da Paixão de Jesus Cristo. De forma abrupta, o leitor é, então, lançado à narração de uma história. A vida de Cristo é contada. O leitor está diante, então, de uma nova versão do mesmo acontecimento com os mesmos personagens. E esses acontecimentos são vistos à luz do presente e preenchido de realidade humana.

“… A barriga de Maria crescia sem pressa, tiveram de passar-se semanas e meses antes que se percebesse às claras o seu estado, e, não sendo ela de dar-se muito com as vizinhas, por tão modesta e discreta ser, a surpresa foi geral nas redondezas…”

A humanização de Jesus Cristo é construída ao longo do texto também pela omissão dos episódios biográficos em que ele foi descrito como ser eleito, capaz de dar vida. Até o desfecho da história marca essa humanidade: a narração termina com a morte de Jesus, ele não a supera como na história tradicional. 

Mas tudo é história e o narrador tem consciência que sua narrativa é “uma memória inventiva” e que “tudo é o que dissermos que foi”. É a ironia revelada não só no distanciamento em relação ao passado como também no pacto que ele faz com seu leitor ao longo do texto. Então, se topares o pacto com Saramago, com certeza terá uma óptima e inesquecível leitura.

OS ÚLTIMOS MESES DE SALAZAR «Paulo Otero»


OS ÚLTIMOS MESES DE SALAZAR

“Salazar estava prisioneiro dele próprio”

Um homem “frágil”, “idoso” e “doente” mas que continuava a ser a personificação do Estado Novo. Este é um dos retratos de António de Oliveira Salazar meses antes de morrer. O fim da vida do estadista é descrito no livro “Os últimos meses de Salazar”, de Paulo Otero, publicado quando passam 40 anos sobre a sua morte.

Salazar foi “prisioneiro” do regime nos últimos meses de vida

“O livro retrata o período do acidente até à morte de Salazar, enquanto homem e ex-político”, explica o autor da obra, editada no ano em que se assinalam 40 anos da morte do estadista de Santa Comba Dão, que faleceu a 27 de Julho de 1970.
Desde a “célebre” queda da cadeira em 1968, sobre a qual existem duas versões possíveis, à cirurgia ao cérebro, até à agonia final em São Bento, o livro mostra um período “pouco conhecido” da vida do ditador.

“Salazar estava prisioneiro dele próprio”, diz Paulo Otero. “Uma pessoa idosa e frágil, que não manda mas é mandada e que não instrumentaliza mas é instrumentalizada”, completa o autor, que recorreu a diversas fontes para preparar esta investigação bibliográfica.

A instrumentalização do político começa quando Salazar é hospitalizado em Setembro de 1968. A idade avançada do ditador já tinha levantado a questão de um sucessor mas Salazar “nunca tomou a iniciativa de apresentar demissão”, lembra Paulo Otero.

Marcello Caetano é nomeado novo Chefe de Governo por Américo Tomaz depois de Salazar ter sofrido um acidente vascular cerebral, e de ser internado na Casa de Saúde da Cruz Vermelha em Lisboa, com pouca esperança de sobreviver e de retomar o poder.

Salazar vive num “mundo de ilusão”

O político vai passar os últimos meses de vida julgando que ainda era Chefe de Governo, vítima de um “jogo” de interesses políticos, do qual “o presidente da República foi cúmplice”, refere o autor do livro.

Através de uma selecção das notícias que eram lidas a Salazar, do seu regresso a São Bento depois de sair do hospital, das reuniões que tinha com ministros e com Américo Tomaz, foi criado um “mundo de ilusão”, “uma aparência formal de que Salazar ainda tinha o poder”, conta Paulo Otero.

Além dos políticos do Estado Novo, também as pessoas mais íntimas de Salazar, em especial agovernanta Maria de Jesus, tiveram um “papel central na montagem deste cenário irreal”. Paulo Otero acredita que o político “morreu com a convicção” de que ainda era Presidente do Conselho.

Marcello Caetano, recém-chegado ao Governo, esforçou-se para a construção de um retrato público de Salazar “doente e inválido”, para tal contribuiu uma emissão televisiva de um filme “manipulado” que mostrava um homem “velho e caquético”.

O “retrato real de Salazar” aponta para um homem semi-lúcido, que tinha consciência das suas funções, embora muito debilitado fisicamente: “paralisado de todo o lado esquerdo e “parcialmente cego”.

Homem para além do político

Paulo Otero sublinha, contudo, que se Marcello Caetano esforçou-se por começar o processo de “dessalarização”, foi Américo Tomaz “o verdadeiro herdeiro do regime”, que “assegurou o salazarismo sem Salazar”, conclui o autor.

Marcello Caetano tinha “os braços e as pernas amarradas” pelo controlo de Américo Tomaz, sob a imposição de continuar a defender o “ultramar e a manutenção das colónias”, a principal causa para a Revolução de Abril de 1974, recorda Paulo Otero. Além do protagonismo de Américo Tomaz, o livro pretende mostrar que “todo o político também é um ser humano”, diz Paulo Otero, “mesmo aquele que teve em si concentrado todo o poder”, completa o professor de Direito.

Outra “ideia” a ser retirada da investigação é a “relação entre amizade e poder”. “O poder gera amizades e interesses”, explica o autor, referindo que Salazar acabou sozinho e esquecido quando perdeu a capacidade de governar.

Salazar ainda é “referência”

Volvidos 40 anos da morte do ditador, “Salazar ainda é uma referência pela positiva ou negativa”, diz Paulo Otero. “Daqui a alguns anos, se tivermos de escolher o principal político do século XX, diremos que foi Salazar”, acredita o professor de Direito.

MEMORIAL DO CONVENTO «JOSÉ SRAMAGO»


MEMORIAL DO CONVENTO

O romance Memorial do Convento contribuiu decisivamente para a afirmação de José Saramago como um dos mais importantes romancistas do nosso tempo.

A sua prosa sedutora configura aqui um mundo assinalado por cruas realidades e sonhos a cumprir. Há a promessa de um Rei, um convento a edificar, aqueles que o erguerão, um soldado maneta, uma mulher capaz de visões, um padre que sonhava voar, os autos-de-fé… A história de Baltazar e Blimunda constitui, assim, um marco na obra de José Saramago, que foi galardoado com o Prémio Nobel da literatura em 1998.

Para a forca ia um homem: e outro que o encontrou lhe dice: Que é isto senhor fulano, assim vay v.m.? E o enforcado respondeo: yo no voy, estes me lleban.

P.ª Manuel Velho

Je sais que je tombe dans l’ inexplicable, quand j’affirme que la réalité – cette notion si flottante -, la connaissance la plus exscte possible des êtres est notre point de contact, et notre voie d’accès aux choses qui dépassent la réalité.

Marguerite Yourcenar

José Saramago, enquanto pessoa, gerava amores e ódios. De uma personalidade irascível, aliava a sua experiência de vida ao seu pedantismo o que, com o status adquirido, o torna uma das maiores personalidade do panorama português dos sécs. XX e XXI.

Esse pedantismo a roçar por vezes o exagero, é transportada para a maioria das suas obras, onde e com uma mestria que lhe granjeia invejas, alia o seu dom de contador de histórias à de crítico de toda uma sociedade (fundamentalmente a portuguesa) e também ao da escrita ou, se quisermos, uma construção do texto e da narração inovadora e difícil de acompanhar.

Pessoalmente gostava e muito do Saramago crítico, não me identifico com a sua ideologia política nem compreendia, por vezes, as suas observações, mas e mesmo vivendo em Espanha, não se contentava com o rumo do nosso país e gosto especialmente quando ele resolve arrasar nos seus romances, como são os casos do “Ensaio sobre a cegueira” e “Evangelho segundo J.C.”.

No entanto e desta vez, proponho-me opinar sobre o Memorial do Convento que é, quanto a mim, uma das Grandes Obras da literatura portuguesa do séc. XX, um portento de inspiração e de uma beleza artística apenas ao alcance dos Maiores.

Ler Saramago, como anteriormente referi, não é fácil. Porém à medida que começamos a compreender o seu estilo, a leitura torna-se fluída e todo aquele aglomerado de letras, aparentemente sem pontuação, deixa de ter importância, porque a pontuação está lá e o homem tinha mesmo jeito para contar histórias.

Quanto ao livro:

Temos duas personagens principais que já correram mundo: Blimunda e Baltasar. Ela “Sete Luas” e ele “Sete Sóis”, ela uma mulher que consegue ver os corpos à transparência quando em jejum e ele, um ex-soldado que regressa da guerra sem uma mão e quase sem alma, apenas o seu corpo lhe dá a aparência de ser humano.

Numa época dominada pela inquisição, um padre constrói um estranho artefacto a que lhe chama Passarola e tenta convencer o rei que aquilo pode voar, esse rei (D. João V) bem tenta que a sua mulher, a rainha D. Maria Josefa, engravide, no entanto “se quiseres um infante, manda construir um convento” diz-lhe um monge e o rei, temente a Deus, faz nascer a principal figura do livro: O Convento de Mafra.

Acompanhamos então toda a construção e ao mesmo tempo as aventuras e desventuras dos personagens antes mencionados, para, no fim, ficarmos estupidificados com a surpresa que Saramago nos guarda. Li o livro e fico com um nó na garganta com as páginas finais.

Um livro que já deu uma ópera que e pelo que tenho lido, deve ser arrepiante, pois no fim existe um coro de padecimento e martírios…

Um romance extraordinário!

MORREU JOSÉ SARAMAGO


CARICATURA DO N.º 1 DOS ESCRITORES PORTUGUÊSES

O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998 José Saramago morreu hoje aos 87 anos em Lanzarote.

José Saramago morreu “estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila”, diz o comunicado oficial da Fundação do escritor, emitido às 13:40.

O comunicado anuncia que José Saramago “faleceu às 12:30 na sua residência em Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença”.

Fazendo minhas as palavras da ministra da cultura do Governo Português, Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas, com a morte do grande escritor a Literatura, e a cultura Portuguêsa, ficaram Orfãos!

Morreu hoje um dos escritores mais fantásticos da Língua Portuguesa. Um homem generoso, extremamente inteligente e lúcido. Faltam palavras para descrever a figura que foi José Saramago, as suas ideias. Felizmente, ele deixou-as todas para nós. Não apenas atravéz dos seus livros, os melhores. Um homem que, aos 87 anos, dispõe-se a manter um blog (Outros cadernos de Saramago), não é um homem qualquer. Um comunista sem ranço, que enxergava longe, além.

Entretanto, esta sexta-feira, o  corpo de José Saramago vai estar em câmara ardente, a partir das 17h00 (hora portuguesa) na biblioteca José Saramago, localizada em Tías, na ilha espanhola de Lanzarote onde o escritor residia desde 1993.

O Prémio Nobel da Literatura, o escritor José Saramago morreu esta sexta-feira, aos 87 anos em Lanzarote, onde residia há vários anos. O escritor sofria de leucemia e há várias semanas que não saía de casa.

José Saramago foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Deixa uma vasta obra onde se incluem géneros distintos.

Publicou o seu primeiro livro em 1944 e esteve quase duas décadas sem voltar a publicar. Em 1966 reaparece no panorama literário com um conjunto de poemas.

Conquistou leitores, prémios e distinções em todo o mundo. Uma das suas obras, ‘Ensaio sobre a Cegueira’ foi adaptado ao grande ecrã pela mão do realizador brasileiro Fernando Meireles. Em Portugal, os seus textos constam nos programas oficiais de Língua Portuguesa nos liceus.

Criou a Fundação José Saramago, que ocupa a Casa dos Bicos por cedência da Câmara Municipal de Lisboa.

O seu último livro, ‘Caim‘, publicado em 2009 suscitou uma forte polémica, com figuras ligadas à Igreja Católica indignadas com a forma como Deus era apresentado nesta visão da Bíbilia.

Última reflexão no blogue

Uma última reflexão de José Saramago surge no blogue ‘Outros Cadernos de Saramago’. Assinada por Fundação José Saramago, a mensagem data de 18 de Junho e tem por título ‘Pensar, pensar’.

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.”

Livros de José Saramago

1947. ‘Terra do Pecado’ (romance)

1966. ‘Os Poemas Possíveis’ (poesia)

1970. ‘Provavelmente Alegria’ (poesia)

1971. ‘Deste Mundo e do Outro’ (crónica)

1973. ‘A Bagagem do Viajante’ (crónica)

1974. ‘As Opiniões que o DL Teve’ (crónica)

1975. ‘O Ano de 1993’ (poesia)

1976. ‘Os Apontamentos – Crónicas Políticas’ (crónica)

1977. ‘Manual de Pintura e Caligrafia’ (romance)

1978. ‘Objecto Quase’ (conto)

1979. ‘Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido’

1979. ‘A Noite’ (peça de teatro)

1980. ‘Que Farei Com Este Livro?’ (peça de teatro)

1980. ‘Levantado do Chão’ (romance)

1981. ‘Viagem a Portugal’ (viagens ou ensaio)

1982. ‘Memorial do Convento’ (romance)

1984. ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (romance)

1986. ‘A Jangada de Pedra’ (romance)

1987. ‘A Segunda Vida de Francisco de Assis’ (peça de teatro)

1989. ‘História do Cerco de Lisboa’ (romance)

1991. ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ (romance)

1993. ‘In Nomine Dei’ (peça de teatro)

1994. ‘Cadernos de Lanzarote I’ (diário)

1995. ‘Ensaio sobre a Cegueira’ (romance)

1995. ‘Cadernos de Lanzarote II’  (diário)

1996. ‘Cadernos de Lanzarote III’ (diário)

1997. ‘Todos os Nomes’ (romance)

1997. ‘Cadernos de Lanzarote IV’ (diário)

1997. ‘O Conto da Ilha Desconhecida’ (conto)

1998. ‘Cadernos de Lanzarote V’ (diário)

2001. ‘A Caverna’ (romance)

‘A Maior Flor do Mundo’ (infantil)

2002. ‘O Homem Duplicado’ (romance)

2004. ‘Ensaio sobre a Lucidez’ (romance)

2005. ‘As Intermitências da Morte’ (romance)

2005. ‘Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido’ (peça de teatro)

2006. ‘As Pequenas Memórias’ (memórias)

2008. ‘A Viagem do Elefante’ (romance)

2009. ‘Caim‘ (romance)

R.I.P.

JOSÉ SARAMAGO

Para conhecimento de todos os que queiram prestar homenagem a José Saramago, informa-se que o corpo estará em câmara ardente na Câmara Municipal de Lisboa entre as 14.30 e as 24 Horas de Sábado, dia 19 de Junho, e a partir das 09 até às 12 Horas de Domingo, dia 20 de Junho.