Archive for the ‘ Escritores ’ Category

PAULO COELHO ( O CORPO DE UMA MULHER)


Muito bom este texto. Vem fazer ver à mulher que  vive obcecada com a balança que para o sexo oposto, o peso é de certa forma irrelevante… A beleza feminina é muito mais do que apenas o que indica a balança. ora confira…

 

Imagem

 

Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma “emoção.

Não temos a menor ideia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra… está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas… . Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.

As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas… Porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.

É essa a lei da natureza… que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.

Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês. porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.

MULHER

As jovens são lindas… mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda… cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em Setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos ‘em formol’ nem em spa… viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.

Cuidem-no! Cuidem-se!

A beleza é tudo isto.

Paulo Coelho

Pesquisa elaborada por:

Paulo Coelho

Fonte: Textos de Paulo coelho (escritor)

 

ASSOBIO REBELDE – MARIA DOS ANJOS – GERAÇÃO À RÁSCA – A NOSSA CULPA…


 Este texto pertence à Assobio, Mª dos Anjos e não a Mia Couto.

http://assobiorebelde.blogspot.com

 

“Um dia, isto tinha de acontecer.

Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa
abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes
as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar
com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também
estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância
e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus
jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a
minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos)
vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós
1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram
nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles
a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…), mas também lhes
deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de
diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível
cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as
expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou
presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o
melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas
vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não
havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, … A
vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem
Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde
não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar
a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de
aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a
pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e
da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que
os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade,
nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter
de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e
que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm
direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas,
porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo
menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por
escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na
proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que
o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois
correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em
sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso
signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas
competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por
não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração
que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que
queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a
diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo
como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as
foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não
lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de
montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o
desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e
inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no
retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e
nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como
todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados
pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham
bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados
académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos
que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e,
oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a
subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
a que alguns acham ter direito e que pelos vistos – e a acreditar no
que ultimamente ouvimos de algumas almas – ocupamos injusta, imerecida
e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme
convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem
fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e
a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço? “

Este texto não é de Mia Couto. Já faz algum tempo que estão a circular isso pela internet equivocadamente. O próprio Mia já declarou em um blog que não foi ele quem escreveu. Vejam aqui:

http://sobreliteraciadigital.wordpress.com/2011/04/16/como-confirmar-a-autoria-de-um-texto-de-mia-couto/

Este texto pertence à Assobio, Mª dos Anjos.

http://assobiorebelde.blogspot.com/2011/03/geracao-rasca-assobio-rebelde-mia-couto.html

MORREU JOSÉ SARAMAGO


CARICATURA DO N.º 1 DOS ESCRITORES PORTUGUÊSES

O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998 José Saramago morreu hoje aos 87 anos em Lanzarote.

José Saramago morreu “estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila”, diz o comunicado oficial da Fundação do escritor, emitido às 13:40.

O comunicado anuncia que José Saramago “faleceu às 12:30 na sua residência em Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença”.

Fazendo minhas as palavras da ministra da cultura do Governo Português, Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas, com a morte do grande escritor a Literatura, e a cultura Portuguêsa, ficaram Orfãos!

Morreu hoje um dos escritores mais fantásticos da Língua Portuguesa. Um homem generoso, extremamente inteligente e lúcido. Faltam palavras para descrever a figura que foi José Saramago, as suas ideias. Felizmente, ele deixou-as todas para nós. Não apenas atravéz dos seus livros, os melhores. Um homem que, aos 87 anos, dispõe-se a manter um blog (Outros cadernos de Saramago), não é um homem qualquer. Um comunista sem ranço, que enxergava longe, além.

Entretanto, esta sexta-feira, o  corpo de José Saramago vai estar em câmara ardente, a partir das 17h00 (hora portuguesa) na biblioteca José Saramago, localizada em Tías, na ilha espanhola de Lanzarote onde o escritor residia desde 1993.

O Prémio Nobel da Literatura, o escritor José Saramago morreu esta sexta-feira, aos 87 anos em Lanzarote, onde residia há vários anos. O escritor sofria de leucemia e há várias semanas que não saía de casa.

José Saramago foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Deixa uma vasta obra onde se incluem géneros distintos.

Publicou o seu primeiro livro em 1944 e esteve quase duas décadas sem voltar a publicar. Em 1966 reaparece no panorama literário com um conjunto de poemas.

Conquistou leitores, prémios e distinções em todo o mundo. Uma das suas obras, ‘Ensaio sobre a Cegueira’ foi adaptado ao grande ecrã pela mão do realizador brasileiro Fernando Meireles. Em Portugal, os seus textos constam nos programas oficiais de Língua Portuguesa nos liceus.

Criou a Fundação José Saramago, que ocupa a Casa dos Bicos por cedência da Câmara Municipal de Lisboa.

O seu último livro, ‘Caim‘, publicado em 2009 suscitou uma forte polémica, com figuras ligadas à Igreja Católica indignadas com a forma como Deus era apresentado nesta visão da Bíbilia.

Última reflexão no blogue

Uma última reflexão de José Saramago surge no blogue ‘Outros Cadernos de Saramago’. Assinada por Fundação José Saramago, a mensagem data de 18 de Junho e tem por título ‘Pensar, pensar’.

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.”

Livros de José Saramago

1947. ‘Terra do Pecado’ (romance)

1966. ‘Os Poemas Possíveis’ (poesia)

1970. ‘Provavelmente Alegria’ (poesia)

1971. ‘Deste Mundo e do Outro’ (crónica)

1973. ‘A Bagagem do Viajante’ (crónica)

1974. ‘As Opiniões que o DL Teve’ (crónica)

1975. ‘O Ano de 1993’ (poesia)

1976. ‘Os Apontamentos – Crónicas Políticas’ (crónica)

1977. ‘Manual de Pintura e Caligrafia’ (romance)

1978. ‘Objecto Quase’ (conto)

1979. ‘Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido’

1979. ‘A Noite’ (peça de teatro)

1980. ‘Que Farei Com Este Livro?’ (peça de teatro)

1980. ‘Levantado do Chão’ (romance)

1981. ‘Viagem a Portugal’ (viagens ou ensaio)

1982. ‘Memorial do Convento’ (romance)

1984. ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (romance)

1986. ‘A Jangada de Pedra’ (romance)

1987. ‘A Segunda Vida de Francisco de Assis’ (peça de teatro)

1989. ‘História do Cerco de Lisboa’ (romance)

1991. ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ (romance)

1993. ‘In Nomine Dei’ (peça de teatro)

1994. ‘Cadernos de Lanzarote I’ (diário)

1995. ‘Ensaio sobre a Cegueira’ (romance)

1995. ‘Cadernos de Lanzarote II’  (diário)

1996. ‘Cadernos de Lanzarote III’ (diário)

1997. ‘Todos os Nomes’ (romance)

1997. ‘Cadernos de Lanzarote IV’ (diário)

1997. ‘O Conto da Ilha Desconhecida’ (conto)

1998. ‘Cadernos de Lanzarote V’ (diário)

2001. ‘A Caverna’ (romance)

‘A Maior Flor do Mundo’ (infantil)

2002. ‘O Homem Duplicado’ (romance)

2004. ‘Ensaio sobre a Lucidez’ (romance)

2005. ‘As Intermitências da Morte’ (romance)

2005. ‘Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido’ (peça de teatro)

2006. ‘As Pequenas Memórias’ (memórias)

2008. ‘A Viagem do Elefante’ (romance)

2009. ‘Caim‘ (romance)

R.I.P.

JOSÉ SARAMAGO

Para conhecimento de todos os que queiram prestar homenagem a José Saramago, informa-se que o corpo estará em câmara ardente na Câmara Municipal de Lisboa entre as 14.30 e as 24 Horas de Sábado, dia 19 de Junho, e a partir das 09 até às 12 Horas de Domingo, dia 20 de Junho.

JOYCE CAROL OATES


JOYCE CAROL OATES

Joyce Carol Oates, é uma escritora norte-americana, que nasceu a 16 de Junho de 1938 em Lockport, (Nova Iorque). Joyce Carol Oates  frequentemente expressa uma nostalgia intensa quando recorda a época e o lugar da sua infância e a sua educação da classe trabalhadora é carinhosamente recordada em grande parte da sua ficção. No entanto, ela também admitiu que o rural, o ambiente áspero dos seus primeiros anos envolveu “uma luta diária pela sobrevivência.” Cresceu no campo fora de Lockport, Nova Iorque, frequentou uma escola de uma única sala nos primeiros 4 anos de escola. Como uma criança pequena, ela contava histórias instintivamente por meio de desenhos e pinturas antes de aprender a escrever. Depois de receber de presente uma máquina de escrever aos quatorze anos, começou conscientemente a escrever os seus primeiros esboços literários durante o liceu e a faculdade.

O sucesso surgiu cedo: ao frequentar a universidade de Siracusa como bolsista, ela ganhou o concurso de ficção cobiçado Mademoiselle. Após se licenciar como melhor aluna da turma, ganhou um mestrado em Inglês pela Universidade de Wisconsin, onde conheceu e casou  com Raymond J. Smith, após um namoro de três meses, em 1962, o casal estabeleceu-se em Detroit, uma cidade cuja erupção social e tensões sugeriram a Oates um microcosmo da realidade violenta americana. O seu melhor romance inicial, “Them”, juntamente com um fluxo constante de outros romances e contos, surgidos da sua experiência de Detroit.”Detroit, fez-me a pessoa que sou, portanto eu sou o escritor para melhor do pior.”

Entre 1968 e 1978, Oates leccionou na Universidade de Windsor, no Canadá, do outro lado do rio Detroit. Durante esta década imensamente produtiva, ela publicou livros novos, à taxa de dois ou três por ano, ao mesmo tempo manteve uma carreira académica a tempo inteiro. Embora ainda na casa dos trinta, Oates torne-se uma das escritoras mais respeitadas e honradas nos Estados Unidos. Questionada repetidamente como ela conseguiu produzir tanto trabalho excelente numa ampla variedade de géneros, ela deu variações da mesma resposta básica, dizendo ao New York Times em 1975, que “sempre vivi uma vida muito convencional de moderação, absolutamente regular hora , nada exótica, não há necessidade, até mesmo, para organizar o meu tempo. ” Quando um repórter lhe rotulou de trabalhadora compulsiva”, ela respondeu:” Eu não estou consciente do trabalho especialmente difícil, ou de ‘trabalho’ num todo. A escrita e o ensino sempre foi, para mim, tão ricamente recompensadora, que eu não os vejo como trabalho no sentido usual da palavra. “

Em 1978, Oates mudou-se para Princeton, New Jersey, onde continua a ensinar no programa da Universidade de Princeton escrita criativa, ela e  o seu marido também editam uma pequena revista literária,  Ontario Review .* Pouco depois de chegar a Princeton, Oates começou a escrever Bellefleur, o primeiro de uma série de romances góticos ambiciosos que, simultaneamente, retrabalhad0s estabeleceram um género literário e renomearam grandes áreas da história americana. Publicados no início de 1980, estes romances marcaram a partida do realismo psicológico dos seus trabalhos anteriores. Mas Oates retornou poderosa ao modo realista com  ambiciosas cronicas de famila, ((You Must Remember This, Because It Is Bitter, and Because It Is My Heart, as novelas de experiência feminina (Solstice, Marya: A Life), e ainda uma série de  romances de suspense (publicados sob o pseudónimo de “Rosamond Smith”), que mais uma vez representou uma experiência lúdica como  género literário. Como romancista John Barth  escreveu, “Joyce Carol Oates escreve tudo sobre o mapa astático.”

A trajectória dramática da carreira de Oates, especialmente a sua surpreendente ascensão de uma infância economicamente difícil à sua posição actual como uma das escritoras mais famosas do mundo, sugere uma versão literária feminista da busca mítica e realização do sonho americano. Ainda assim, com todo o seu sucesso e fama, a rotina diária de Oates de ensinar e escrever mudou muito pouco, e o seu compromisso com a literatura como uma actividade humana transcendente continua firme. Não surpreendentemente, uma citação de outro escritor prolífico americano, Henry James, que está afixada no bloco de notas sobre a sua secretária, e que talvez melhor exprime a sua própria visão final da sua vida escrevendo é: “Trabalhamos no escuro, fazemos o que Pode-mos, damos aquilo que temos. A nossa dúvida é  a nossa paixão e a nossa paixão é a nossa tarefa. O resto é a loucura da arte.

Como já referi anteriormente a obra de Joyce Carol Oates, é muito diversificada, compreende dezenas de títulos entre romances, contos, poesia, peças de teatro, ensaios, e críticas.

Entre os seus livros publicados em Portugal destaco: “Elas” 1969, “casamentos e infidelidades” 1972, “Marya, uma vida” 1986, “O Boxe” 1987, “águas negras” 1992, “Rosas de Fogo” 1993, e “Blonde” em 2000.

HENRY DAVID THOREAU


Henry David Thoreau

Henry David Thoreau (nasceu a, 12 de Julho de 1817e morreu a, 6 de maio de 1862) foi um autor Americano, poeta, naturalista, activista anti-impostos, crítico da ideia de desenvolvimento, pesquisador, historiador, filósofo, e transcendentalista. Ele é mais conhecido pelo o  seu livro Walden, uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza, e pelo seu ensaio Desobediência Civil uma defesa da desobediência civil individual como forma de oposição legítima frente a um estado injusto.

Os livros, ensaios, artigos, jornais e poesias de Thoreau chegam a mais de 20 volumes. Entre suas últimas contribuições encontravam se seus escritos sobre história natural e filosofia, onde ele antecipou os métodos e preocupações da ecologia e do ambientalismo. O seu estilo de escrita literária intercala observações naturais, experiência pessoal, retórica pontuada, sentidos simbolistas, e dados históricos; ao mesmo tempo em que evidencia grande sensibilidade poética, austeridade filosófica, e uma paixão “yankee” pelo detalhe prático. Ele também era profundamente interessado na ideia de sobrevivência face a contextos hostis, mudança histórica, e decadência natural; ao mesmo tempo em que buscava abandonar o desperdício e a ilusão de forma a descobrir as verdadeiras necessidades essenciais da vida.

Foi também um longevo abolicionista, realizando leituras públicas nas quais atacava as leis contra as fugas de escravos evocando os escritos de Wendell Phillips e defendendo o abolicionista John Brown. A filosofia de Thoreau da desobediência civil influenciou o pensamento político e acções de personalidades notáveis que vieram depois dele, filósofos e activistas como Liev Tolstói, Mahatma Gandhi, e Martin Luther King, Jr.

Thoreau é por vezes citado como um anarquista individualista. Ainda que por vezes a sua desobediência civil ambicione por melhorias no governo, mais do que sua abolição – “Não peço, imediatamente por nenhum governo, mas imediatamente desejo um governo melhor” – a direcção desta melhoria é que ambiciona o anarquismo: “‘O melhor governo é aquele que não governa;’ então os homens estarão preparados para isso, este será o tipo de governo que eles terão.”

LEON TOLSTOI


LEON TOLSTOI

O conde Lev Nikolaievitch Tolstoi nasceu a 28 de Agosto de 1828, em Isnaia Poliana, na Rússia central. Os seu pais pertenciam a famílias distintas da nobreza russa. Órfão bastante cedo, é colocado com os seus irmãos sob a tutela de familiares. Sentindo necessidade de uma vida regrada, segue a carreira militar, o que não o impede de publicar várias narrativas autobiográficas. Infância, o seu primeiro trabalho, aparece na revista O Contemporâneo, em 1852. Seguem-se Adolescência (1854) e Juventude (1855). Entre 1852 e 1856 publica igualmente narrativas sobre as suas experiências militares. Estas novelas trazem-lhe a celebridade. Defende os valores da autenticidade, do natural, presentes na vida dos camponeses, em oposição aos valores artificiais das classes privilegiadas. Posiciona-se como um liberal moderado, o que não o impede de se colocar a favor da abolição da servidão dos camponeses e desenvolve mesmo métodos pedagógicos de educação popular. Em 1862 casa-se com Sofia Andreevna Bers e instala-se na sua propriedade em Isnaia Poliana. Termina Os Cossacos em 1863 e nesse mesmo ano inicia o projecto de Guerra e Paz (1863-69). Para o autor, não são os grandes nomes que fazem a História e que comandam os acontecimentos; é ao povo, enquanto guardião da verdade e fiel aos seus instintos, que compete representar o papel principal no desenrolar dos factos históricos. O romance Ana Karenine (1873-77) relata o amor trágico de uma mulher sob fundo de emancipação feminina e de mudanças sociais profundas. Nos anos seguintes, uma grave crise moral e psicológica, relatada no ensaio Confissão (1879), leva-o a encetar uma busca da essência da mensagem espiritual, resumida nos princípios cristãos de amor a Deus e ao próximo. A ruptura com a Igreja será irreversível em 1901, com a sua excomunhão, o que não deixa de o tornar popular entre a juventude intelectual. Entretanto, nos últimos romances, a condição humana é analisada através de uma lucidez sombria; o ser humano só pode resgatar-se pela conversão espiritual. A Morte de Ivan Ilitch (1886), A Sonata a Kreutzer (1890), Ressurreição (1889-99) e Hadji Mourat (1890-1904) fazem parte deste período. Escreve igualmente ensaios em que condena as sociedades modernas baseadas na procura do supérfluo e evidencia uma exigência moral que resultará num conflito interior extremo. É alvo de todas as atenções quando apenas procura a simplicidade e a renúncia. A sua autoridade, a celebridade que conquistou, tornam-se um obstáculo à sua questa espiritual. Em fuga, acaba por encontrar a morte a 7 de Novembro de 1910, na estação de caminhos-de-ferro de Astapovo.

José Saramago


saramago Escritor português, José Saramago nasceu a 16 de Novembro de 1922, em Azinhaga, no concelho da Golegã. Ficcionista, cronista, poeta e autor dramático, coube-lhe a honra de ser o primeiro autor português distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, em 1998, consagrando, no seu nome, o prestígio das letras portuguesas contemporâneas além-fronteiras. Atribuição tanto mais meritória quanto a sua existência encontrou sempre condições adversas à satisfação da sua sede de cultura, ao longo de um percurso biográfico pejado de obstáculos.

Oriundo de uma família humilde, José Saramago não pôde, por dificuldades económicas, prolongar os estudos liceais; depois de obter o curso de serralheiro mecânico, desempenhou simples funções burocráticas e conheceu, em 1975, o desemprego – que não o impediria, porém, nem de manter uma postura cívica exemplar, marcada pelo empenhamento político activo, antes e após o regime salazarista, nem de, graças a um trabalho de autodidacta, adquirir um saber literário, cultural, filosófico e histórico incomparável, nem de se tornar um dos raros escritores profissionais portugueses.

Figura de primeiro plano da literatura contemporânea nacional e internacional, a sua obra encontra-se traduzida em diversas línguas, sendo objecto de vários estudos académicos. Revelou-se como poeta com a colectânea Os Poemas Possíveis (1966), a que se seguiria Provavelmente Alegria (1970), desenvolvendo, simultaneamente, uma longa experiência como cronista, coligida nos volumes Deste Mundo e do Outro (1971), A Bagagem do Viajante (1973), As Opiniões Que o D. L. Teve (1974) e Os Apontamentos (1976). Destes dois registos fez o campo de ensaio, para, com 44 anos, encetar uma amadurecida carreira de romancista, que deixaria para trás experiências ficcionais ainda não suficientemente reveladoras, como Terra de Pecado, de 1947.

Manual de Pintura e de Caligrafia e Levantado do Chão são os dois primeiros títulos de uma actividade romanesca que, concebida como registo privilegiado para uma interrogação sobre a relação entre o homem e a História, entre o individual e o colectivo, entre o escritor e a sociedade, nos anos 80, conhece um sucesso fulgurante, junto do grande público e da crítica especializada. É durante esta década que publica os títulos que o celebrizaram, como Memorial do Convento (1982), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) ou A Jangada de Pedra (1986), e onde problematiza, de forma imaginativa e humorada, numa dinâmica narrativa livre (sem constrições, seja ao nível da expressão linguística, marcada, do ponto de vista formal, por uma estratégia de integração, sem marcas gráficas, do discurso dialogal das personagens e do narrador no fluxo contínuo do texto; seja ao nível da efabulação de personagens ou do tempo), as modalidades de ficcionalização do tempo histórico, quer remetido para um passado revisto a partir da atenção conferida às histórias reais ou sonhadas dos seres anónimos que construíram a História (Memorial do Convento), O Ano da Morte de Ricardo Reis), quer concebida como crónica de um futuro virtual que, sob a sua forma alegórica, não deixa de reflectir uma inquietação sobre o presente (A Jangada de Pedra).

Posteriormente publicou outras obras, de entre as quais merecem menção História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1992), Ensaio sobre a Cegueira (1996), Todos os Nomes (1997), A Caverna (1999), Ensaio sobre a Lucidez (2004), As Intermitências da Morte (2005), As Pequenas Memórias (2006), A Viagem do Elefante (2008) e mais recentemente um dos livros do escritor que mais polémica causou, Caim (2009) . A bibliografia de José Saramago abrange ainda textos teatrais (Que Farei Com este Livro, A Segunda Vida de São Francisco, In Nomine Dei, Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido), o registo diarístico encetado com a edição de Cadernos de Lanzarote e ainda uma breve incursão à literatura infanto-juvenil com A Maior Flor do Mundo, de 2001, livro escrito em parceria com o ilustrador João Caetano, que acabou por receber o Prémio Nacional de Ilustração atribuído nesse ano. Em 2008, Saramago viu o seu best-seller Ensaio sobre a Cegueira ser adaptado para o cinema, pela mão do realizador brasileiro Fernando Meirelles.

José Saramago, comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada desde 1985 e cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesas desde 1991, tem recebido ao longo da sua carreira numerosas distinções. Para além do prémio Nobel, foi galardoado, entre outros, com: o Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa, em 1991; o Grande Prémio Vida Literária, atribuído pela APE, em 1993; o Prémio Camões, em 1995; e o Prémio de Consagração de Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 1995. Em 1999 foi doutorado Honoris Causa pela Universidade de Nottingham, em Inglaterra; em 2000 pela Universidade de Santiago, no Chile; e, em 2004, pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e pela Universidade de Charles de Gaulle-Lille III, em França.