PABLO AIMAR ARRAZOU COM O sporting


PABLO AIMAR

O argentino esteve em dúvida e Jesus fez durar o bluff até à véspera do jogo. Mas Saviola não recuperou. O treinador não vacilou porque sabe que tem outro joker: também argentino e ainda mais frágil que “El Conejo”. E guardou-o. Aimar ficou no banco até ao intervalo e depois Jesus cedeu-lhe o palco no regresso das cabinas – começou aí o fim do Sporting e estendeu-se a passadeira do título para o Benfica.

Cardozo lesionou-se num lance com Carriço e foi assistido. Pediu para sair. Jesus aguentou-o em campo mas fez aquecer Kardec. Faltava menos de meia hora para o final e o empate ameaçava estender-se. O paraguaio respirou fundo e permaneceu, ainda mais estático do que tinha sido até aí – e foi crucial. Ter ficado quieto na pequena área permitiu-lhe dar uso ao seu letal pé esquerdo, depois do remate falhado de Coentrão. A Luz explodiu com o 21.º golo do avançado, que lhe permite ainda ultrapassar Falcao na lista dos melhores marcadores, e a vitória estava ao alcance depois do susto na hora inicial.

Porque foi o Sporting a entrar melhor. Carvalhal, que completou uma volta à frente dos “leões”, não inventou na táctica nem na equipa, colocou aquela que era anunciada. E venceu a primeira batalha a Jesus: com pressão alta, o futebol do Benfica, mandão quando joga em casa – alcançou nesta terça-feira a 12.ª vitória na Luz em 13 jogos – não apareceu. Estava aos soluços e obrigava David Luiz a arriscar (num desses lances perdeu para João Pereira, que falhou isolado). Os adeptos estranharam e o “leão” aproximou-se muito de Quim, mas apesar de mais ataques, mais cantos e mais remates, chegou ao intervalo sem golos.

Depois entrou Aimar. O argentino substituiu a aposta inicial (falhada) de Jesus – Éder Luís nem se viu. E o futebol na Luz mudou. Após uma entrada de carrinho a destempo, o árbitro perdoou a expulsão a Luisão, a única mancha na segunda parte quase perfeita dos “encarnados”, e nada conseguiu parar a avalancha de ataques, só aqui e ali interrompidos com tímidos contra-ataques do adversário, decapitado pelo mau jogo de Liedson e pela falta de acompanhamento de Djaló e João Pereira, que fez de extremo.

Com mais espaço para Di María, que não aceitou o palco, e liberdade para Aimar, o Sporting foi sendo empurrado para a sua área. Caiu com o golo de Cardozo (aos 68 minutos) e desapareceu de vez com o slalom de Aimar, que só terminou com o estádio a seus pés. Faltavam 15 minutos e estava tudo feito. Estava encontrado o vencedor, o herói e a vítima.

Quase 60 mil benfiquistas faziam a festa. Mas Jorge Jesus queria mais. Virou-se para o público a pedir mais. Mais voz, mais apoio. Porque após os golos, o vulcão deitou todo o seu temor para fora e explodiu. São sete vitórias consecutivas na Liga e a eliminação a meio da semana em Liverpool como que deixou de causar mossa. Agora, é um Benfica com uma só missão e de braço dado com os números que lhe são favoráveis.

A estatística não só se manteve inalterada no seu curso, como ainda aumentou mais uns pontos a favor do Benfica, que não só dispõe agora de 26 pontos de diferença para o Sporting – a segunda maior de sempre – como está a sete pontos do título. E se a história seguir o seu caminho sem percalços, os “encarnados” serão mesmo campeões: nos 31 títulos que as “águias” têm no currículo, só perderam um derby no Estádio da Luz…

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