Mata Hari


MATA HARI

Dançarina profissional, de seu nome verdadeiro Margarette Geertruide Zelle, nasceu a 7 de Agosto de 1876, na Holanda, na cidade de Leeuwarden. Era filha de um pobre chapeleiro, antes rico mas caído na ruína, tendo contraído matrimónio com um oficial da marinha holandesa em 1895, pelo que acrescentou o apelido do marido, MacLeod. Entre 1897 e 1902, devido a comissão de serviço do marido, foi viver para Java e para Sumatra, na Indonésia, então uma colónia holandesa. Porém, com o regresso à Europa, MacLeod separou-se de Margarette, levando a filha do casal.


Ruma depois para Paris, onde em 1905 se torna dançarina profissional, sendo conhecida como Lady MacLeod. Mas não demorou muito a alterar o nome por que era conhecida na noite parisiense, vindo a adoptar aquele que a tornou célebre, Mata Hari, e que terá sido o elemento biográfico mais perene da sua curta vida. Mata Hari era uma expressão que remontava à sua passagem pela Indonésia, dizendo a dançarina que significava, em malaio (língua de onde deriva o actual idioma oficial da Indonésia, o bahasa), Sol ou, num sentido literal, “olho do dia”. Ali aprendera também os mimetismos principais das danças orientais que lhe vieram a servir de repertório para as suas actuações futuras nos cabarets europeus.


De porte atlético, talhado num corpo esbelto e de elevada estatura, potencializava ao máximo todos os seus atributos físicos no seu estilo de dançar, oriental e bastante sensual, não descurando nunca a nudez. O seu estilo oriental era realçado pelo seu fino e decotadíssimo sari indiano e pelos véus ondulantes que lhe caíam sobre os ombros despidos. Apresentava-se como bailarina oriental, dizendo ser filha de uma bailarina malaia, que morrera no parto, declamando hinos a Shiva, deus hindu da destruição. O final dos seus shows era sempre reservado à narração da sua própria vida pela dançarina, com pormenores irreais, arrebatando ainda mais as plateias.
Esta forma de actuar nos cabarets parisienses e de outras cidades incendiou as plateias masculinas, onde pontificavam com bastante frequência personalidades importantes dos meios políticos e económicos da Europa. Muitos foram os seus amantes, em boa parte altas patentes militares ou oficiais. Estes contactos de alcova permitiram-lhe aceder a fontes de informações militares e estratégicas de grande importância no xadrez político da Europa de meados do século XX, ainda que os factos relativos às suas actividades de espionagem estejam ainda envoltos em mistério e alimentem lendas e enigmas.


Perante as acusações que os franceses lhe fizeram de espionagem na Primeira Guerra Mundial, por denúncia dos britânicos, Mata Hari defendeu-se inicialmente alegando ter desempenhado essas actividades a favor do governo de Paris enquanto esteve na Bélgica, então sob ocupação alemã. Mas as suspeitas francesas incidiam sobre uma eventual duplicidade. Provavelmente, Mata Hari terá sido um joguete nas mãos dos alemães, que a terão recrutado em 1916, depois de conhecerem as suas potencialidades ao serviço da espionagem através da sua longa lista de amantes, principalmente altas patentes do exército francês. Por isso, foi presa em Paris e julgada em tribunal marcial em Julho de 1917, acusada de ser responsável moral por mais de 50 000 mortes em combate, tendo sido condenada à morte, pena esta que se cumpriu por fuzilamento em 15 de Outubro desse ano em Vincennes, nos arredores de Paris. A sua morte foi também mais uma grande encenação: toda vestida de negro, de botas altas e um chapéu da abas largas, Margarette ergueu um dos seus esguios braços em jeito de despedida em grande estilo ao pelotão de carrascos, a sua última plateia. A mais exótica das bailarinas do século XX terminava assim uma nebulosa existência, vivida entre o romance e a traição, encarnando a figura maléfica e provocadora de Shiva.
Actualmente procedem-se a pesquisas sobre as verdadeiras causas da sua condenação à morte. Os arquivos ingleses abriram-se à investigação, ainda que até agora não tenham ainda surgido novos dados que alterem a biografia por fazer da mais fantasiosa e enigmática das figuras femininas do nosso tempo.

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