Papa acusado de ter mais informações sobre padre pedófilo alemão


Joseph Ratzinger

Joseph Ratzinger, então arcebispo de Munique, acompanhou o caso do padre pedófilo na Alemanha mais de perto do que se vinha a pensar, segundo o diário norte-americano “New York Times” de hoje.

Na Alemanha, o jornalista da revista alemã “Der Spiegel” que tem seguido o caso perguntava, num artigo de opinião, “quando é altura de um Papa se demitir?”. “Com a sua autoridade a diminuir, como é que se mantém no cargo”, questiona Peter Wensierski.

Joseph Ratzinger, então arcebispo de Munique, recebeu um duplicado de um memorando dizendo que o padre – que tinha sido submetido a psicoterapia para ultrapassar o seu problema de pedofilia – voltaria ao trabalho pastoral dias depois de ter iniciado o tratamento, diz o “New York Times”. O padre acabou por ser condenado por molestar menores numa outra paróquia.

Uma declaração inicial feita no início deste mês pela Arquidiocese de Munique responsabilizava o “número dois” de Ratzinger, Gerhard Gruber, pela decisão de permitir que o padre regressasse ao trabalho. Mas há documentos, diz o “New York Times” citando dois responsáveis da Igreja sob anonimato, mostrando que o futuro Papa presidiu à reunião de Janeiro de 1980 em que a transferência do padre foi aprovada e ainda que Ratzinger foi sendo informado da recolocação do padre.

Ataque ignóbil
Enquanto isso, o Vaticano passou hoje ao contra-ataque criticando os media que fizeram um “ignóbil” ataque ao Papa ao dizer que ele sabia das acusações feitas a um padre norte-americano que era suspeito de abusar de cerca de 200 rapazes surdos.

O diário norte-americano “New York Times”, que primeiro tinha noticiado o caso dos EUA – que se seguiu ao da Alemanha, que se seguiu ao da Irlanda – dizia ontem que altos responsáveis do Vaticano – incluindo o actual Papa Bento XVI – não tomaram medidas contra o padre americano Lawrence C. Murphy, que terá abusado de 200 crianças surdas enquanto trabalhou numa escola do Wisconsin para deficientes auditivos, entre 1950 e 1974.

Os responsáveis do Vaticano, incluindo o Papa, são acusados de ter tido informações sobre o caso mas estarem mais preocupados sobre como evitar um escândalo do que com as vítimas dos alegados crimes do padre.

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