Michelangelo Buonarroti 1475-1564


O legado artístico de Miguel Ângelo constitui uma demonstração de génio. A ele se devem obras imortais tais como: na pintura, os frescos da capela sistina, o Juízo final no mesmo local, 2 frescos na Capela Paulina, na escultura o “David”, a Pietà, Baco, as 2 Tumbas dos Médici, e o “Moisés”, e na arquitectura a cúpula da Basílica de São Pedro no Vaticano, remodelou a praça do Capitólio Romano e projectou vários edifícios.

O humanismo renascentista, da que o genial artista constitui uma figura pragmática, levou-o também a escrever uma notável obra literária, tanto em prosa como em verso.

Miguel Ângelo di Lodovico Buonarroti Simoni, nasceu em Caprese, uma localidade próxima da cidade de Toscana de Arezzo, em Itália a 6 de Março, de 1475.

Ele desenvolveu o seu trabalho artístico durante mais de setenta anos entre Florença e Roma, onde viveram seus grandes mecenas, a família Medici de Florença, e vários papas romanos.

Ainda em criança, mudou-se com a sua família para Florença, onde em 1488, entrou como aluno para o ateliê de pintura dos irmãos David, e Domenico Ghirlandaio, onde aprendeu as técnicas de pintar frescos e painéis, fazendo-se logo notar pela firmeza e força do seu traço.

No ano seguinte, graças ao patrocínio de Lourenço o Magnífico, passou a estudar escultura com Bertoldo di Giovanni no jardim onde a família senhorial de Florença conservava uma valiosa colecção de esculturas antigas. Tendo o seu talento sido logo reconhecido, tornou-se um protegido dos Medici, para quem realizou várias obras, vindo a frequentar a sua casa e o círculo intelectual de que se faziam rodear.

Após a morte de Lourenço o Magnifico, em 1492, e pouco antes da expulsão da família Medici pelo pregador e reformador religioso Girolamo Savonarola, Miguel Ângelo fugiu para Bolonha, onde, sob a influência de Jacopo della Quercia, esculpiu três estátuas para o túmulo de são Domingos.

A sua estadia em Roma, de 1496 a 1501 onde esculpiu “Baco”, antes de se voltar para a temática de inspiração religiosa que dominaria a sua arte a partir de 1498. A sua grande obra do período é a “Pietà” de mármore que se encontra na basílica de São Pedro, na qual a cena trágica contrasta com a serenidade do juveníssimo rosto da Virgem.

De volta a Florença, esculpiu em madeira a “Crucificação” (autenticada somente em 1965), que doou a uma igreja como agradecimento por lhe terem permitido estudar os cadáveres ali conservados.

Em Florença, em 1501, recebeu a incumbência de realizar as 15 figuras da capela Piccolomini da catedral de Siena e o colossal “David” de mármore, concluído em 1504. Esta estátua está hoje na Academia de Belas-Artes de Florença, e veio a converter-se na encarnação do espírito e da força da cidade.

Ainda em 1501, Miguel Ângelo começou a pintar o fresco “Batalha de Cascina” para a sala do conselho do Palazzo Vecchio florentino. Essa grande pintura, posteriormente destruída, suscitou uma autêntica rivalidade entre o artista e Leonardo da Vinci, que estava a pintar “A batalha de Anghiari” na parede oposta.

O papa Júlio II chamou o já célebre génio toscano a Roma, em 1505, para o incumbir de fazer um grande mausoléu com mais de quarenta figuras em tamanho real. O projecto, que não chegou a ser concluído, acarretou muitos problemas para Miguel Ângelo, desde a assistência inadequada na execução do projecto à falta de pagamento. O escultor desentendeu-se então com o papa e fugiu de Roma.

Em Florença, Piero Solderini convenceu-o a justificar-se. Júlio II encomendou-lhe então uma estátua em bronze para a igreja de São Petrônio, concluída em 1508. Nesse mesmo ano, Miguel Ângelo recebeu o primeiro pagamento do papa para iniciar a ampliação da capela Sistina, cujos frescos pintou até 1512. Embora tenha trabalhado como pintor a contragosto, preferia a escultura, realizou na capela Sistina frescos tidos como a expressão máxima da arte pictórica do Renascimento.

Os Medici adquiriam, reconquistaram o poder em Florença em 1512, e os papas Leão X e Clemente VII, membros dessa família, encarregaram Miguel Ângelo de vários projectos a serem realizados em Florença, onde o artista residiu ocasionalmente entre 1514 e 1534.

Em 1513 o artista conseguiu renegociar o contrato do mausoléu com os descendentes de Júlio II. O projecto foi reduzido e Miguel Ângelo idealizou para o sepulcro a sua célebre estátua “Moisés”, de mármore, e duas figuras flageladas de escravos.

Em 1520, Miguel Ângelo comprometeu-se a projectar uma capela mortuária na igreja de São Lourenço, que deveria abrigar os túmulos da família Medici e, em 1524, Clemente VII encarregou-o do projecto da Biblioteca Laurenziana.

No cenotáfio dos Medici, as estátuas de Juliano e Lourenço o Magnífico, dispostas em nichos sobre as tumbas, representaram um novo ponto de partida no campo da escultura funerária. Sob elas, Miguel Ângelo acrescentou quatro figuras em mármore que representam o mundo terreno em escalas do dia: “Aurora”, “Dia”, “Crepúsculo” e “Noite”. Também construiu o recinto solene da capela que, apesar da extrema simplicidade das linhas arquitectónicas, é para muitos a maior obra do artista.

No período republicano que se seguiu à queda dos Medici, Miguel Ângelo colaborou activamente na vida pública florentina e projectou a fortificação da cidade contra os ataques dos exércitos papal e imperial.

Alternou o trabalho em outras áreas com a criação de uma obra poética de grande sensibilidade, escrita a partir de 1530. O conjunto dos seus textos, com justiça caracterizados como uma “biografia espiritual”, reúne mais de 300 sonetos, madrigais e outros tipos de poemas, inclusive fragmentos inacabados.

Em 1534, nomeado pelo papa Paulo III, escultor, pintor e arquitecto oficial do Vaticano, Miguel Ângelo, fixou residência definitiva em Roma.

Entre 1536 e 1541, realizou no altar da capela Sistina o grande fresco “Juízo final”. A gigantesca composição aparece dominada pela vigorosa figura de Cristo que, como juiz universal, ordena a salvação dos bem-aventurados e o castigo dos pecadores. A obra reflecte de forma dramática as inquietudes espirituais do já idoso Miguel Ângelo.

Em 1538, transferiu a estátua do imperador Marco Aurélio para o centro da praça do Capitólio, que ele reorganizou.

Nos seus últimos anos de vida, os encargos e projectos do artista foram principalmente obras de arquitectura. A partir de 1546, criou as janelas do segundo andar e a grande ante sala do Palazzo Farnese, em Roma.

A partir de 1547, conduziu as obras na basílica de São Pedro; a grande cúpula da basílica é de sua autoria. Entre as esculturas dos seus últimos anos, destaca-se a “Pietà Rondanini”.

Entre 1561 e 1564 construiu, dentro das ruínas das termas de Diocleciano, a grande igreja Santa Maria degli Angeli.

Celebrado como grande personalidade artística de seu tempo, Miguel Ângelo morreu em Roma, a 18 de Fevereiro de 1564, aos 88 anos de idade.

Ainda em vida foi considerado o maior artista de seu tempo; chamavam-no de o Divino, e ao longo dos séculos, até os dias de hoje, vem sendo considerado na mais alta conta, parte do reduzido grupo dos artistas de fama universal, de facto como um dos maiores que já viveram e como o protótipo do génio. Miguel Ângelo foi um dos primeiros artistas ocidentais a ter a sua biografia publicada ainda em vida. A sua fama era tal que, como nenhum artista anterior ou contemporâneo seu, sobrevivem registos numerosos sobre a sua carreira, personalidade, e objectos que ele usara ou simples esboços para as suas obras eram guardados como relíquias por uma legião de admiradores. Para a posteridade Miguel Ângelo permanece como um dos poucos artistas que foram capazes de expressar a experiência do belo, do trágico e do sublime numa dimensão cósmica e universal.

ARTIGO ELABORADO POR PAULO COELHO (“SÁ”)

FONTE:

Enciclopédia Livre,

Diciopédia 09,

Dicionário Enciclopédico

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