Manoel de Oliveira


Manoel Cândido Pinto de Oliveira é um prestigiado cineasta português, o realizador de cinema com mais anos de vida no activo, nasceu no Porto a 11 de Dezembro de 1908, embora a data oficial do seu nascimento seja a 12 de Dezembro, dia em que foi registado. Manoel de Oliveira nasceu no ceio de uma família da burguesia média-alta. É filho de Francisco José de Oliveira, o primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal, e da sua esposa, Cândida Ferreira Pinto.

Interessou-se muito cedo pelo cinema, graças ao seu pai, que o levava a ver filmes de Charles Chaplin e Max Linder, despertando-lhe assim o interesse pela sétima arte. Fez os primeiros estudos no colégio Universal no Porto, e posteriormente, no colégio Jesuíta de La Guardia, na Galiza. Mas foi como desportista de ginástica, natação, atletismo e automobilismo, que ganhou notoriedade inicialmente. No atletismo foi campeão nacional do salto com vara, e atleta do elitista Sport Club do Porto, no automobilismo venceu o grande prémio internacional do autódromo do Estoril na temporada de 1937, ao volante de um Ford V8 Especial. Ainda antes dos filmes veio a vida boémia, eram habituais as tertúlias no café Diana, na Póvoa de Varzim, com José Régio, Agustina Bessa Luís e outros.

Aos 20 anos ingressa na escola de Actores de Cinema, fundada no Porto por Rino Lupo, participando com o irmão, Casimiro de Oliveira, como figurante num filme deste realizador,  Fátima Milagrosa (1928). A revista Imagem pública em 1930 fotografias suas considerando-o “um dos mais fotogénicos cinéfilos portugueses“. Por esta altura comprou uma máquina Kinamo com a qual começou a filmar Douro, Faina Fluvial, com um fotógrafo amador, António Mendes. Trabalho inspirado no filme de Walter Ruttman – Berlim, Sinfonia de uma Capital (1927). A 21 de Setembro de 1931 estreia a versão muda do Douro, Faina Fluvial no V Congresso Internacional da Crítica, o qual despertou violentas reacções dos críticos nacionais e elogios dos estrangeiros.  Seria o primeiro documentário de muitos que abordariam, de um ponto de vista etnográfico, o tema da vida marítima da costa de Portugal. Críticas essas que nunca mais deixaram a obra de Oliveira. Por uns a sua obra é elogiada, por outros é fortemente criticada, mas Oliveira continua a filmar. As críticas são centradas na forma como estrutura os filmes e a lentidão com que se desenrola a acção. Dá mais importância às palavras e ao conteúdo do que aos actos. A câmara raramente se move, e quando o faz são movimentos subtis para mostrar um objecto, os movimentos corporais de um actor que fala. Tudo é encenado meticulosamente para o espectador não se distrair com pormenores supérfluos, agarrando-o desta forma à história deste génio do cinema.

Em 1933,  mantendo o gosto pela representação, participou como actor no segundo filme sonoro português, A Canção de Lisboa (1933), de Cottinelli Telmo, vindo a dizer, mais tarde, não se identificar com aquele estilo cinematográfico.

Passado um ano estreou a versão sonora de Douro, Faina Fluvial  além fronteiras, que o consagrou como cineasta. Todavia, na década de 30, não passaram de projectos Bruma, Miséria, Roda, Luz, Gigantes do Douro, A Mulher que Passa, Desemprego e Prostituição.

A 4 de Dezembro de 1940, Manoel de Oliveira, casa-se com Maria Isabel Brandão de Meneses de Almeida Carvalhais no Porto.

Em 1942, aventura-se na ficção como realizador: adaptado do conto Os Meninos Milionários, de Rodrigues de Freitas, Aniki-Bobó, um enternecedor retrato da infância no cru ambiente neo-realista da Ribeira do Porto foi um fracasso comercial, mas como o tempo daria que falar. Oliveira decidiu, talvez por isso, dedicar-se à produção agrícola da família, na região do Douro, ocupando-se do cultivo do Vinho do Porto. Em 1955 foi à Alemanha – Leverkussen, fazer um estágio intensivo nos laboratórios da AGFA, para estudar a cor aplicada ao cinema, que veio mais tarde (1957) a aplicar no documentário, O Pintor e a Cidade.

Em 1963, O Acto da Primavera (segunda docuficção portuguesa) marcou uma nova fase do seu percurso. Com este filme, praticamente ao mesmo tempo que António Campos, iniciou Manoel Oliveira em Portugal, a prática da antropologia visual no cinema.

Os anos sessenta consagram Manoel de Oliveira no plano internacional, a partir de Itália e de França: Homenagem no Festival de Locarno em 1964 e passagem da sua obra na Cinemateca de Henri Langlois – Paris 1965.

A partir de 1971, com o “O Passado e o Presente”, acumularam-se os galardões e os louvores, assim como as polémicas à volta da sua obra. Este filme inaugura a fase do cinema Português conhecida como “os anos Gulbenkian”, na qual a Fundação assumiu o protagonismo de apoio à produção cinematográfica nacional. O mesmo filme marca o início da sua teatrologia dos amores frustrados, da qual se incluem: Benilde ou a Virgem Mãe (1975), Amor de Perdição (1978) e Francisca (1981).

Recebe em 1980 a Medalha de Ouro pelo conjunto da sua obra, atribuída pelo CIDALC. Mais tarde em 1985 voltou a ser galardoado com o Leão de Ouro pelo seu filme, Le Soulier de Satin, no Festival de Veneza.

Data de 1987 o seu último documentário, a propósito da Bandeira Nacional, filme de arte sobre uma exposição do pintor Manuel Casimiro de Oliveira (seu filho), em Évora. Desde então tem mantido um ritmo imparável de trabalho (uma longa metragem por ano), permitido pelo estatuto que o seu prestígio alcançou junto das instituições oficiais: – as francesas especialmente, mas também as portuguesas, nomeadamente o IPACA. Entretanto, escreveu para teatro, sendo também o encenador no festival A CIDADELA DO TEATRO em Santarcongelo di Romagna – Itália.

Em 1988 apresentou Os Canibais ao Festival de Cannes. Em 1990, no mesmo evento cinematográfico exibiu extra concurso Non ou a Vã Glória de Mandar, o qual lhe valeu uma menção especial do júri oficial. Sucederam-se as homenagens, os preitos e as honrarias em Veneza (1991), La Carmo (1992), Tóquio (1993), São Francisco e Roma (1994), que lhe dão um prestígio mundial. Neste mesmo ano participou na Viagem a Lisboa de Wim Wenders.

Em 1995 a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) atribui-lhe o Prémio Carreira, inserido na comemoração do centenário do cinema. Em 1996 a Videoteca de Lisboa abre um ciclo intitulado “Encontros com o Cinema Novo”, abordando nesse evento “Manoel de Oliveira – O Caso e a Obra”; participa com Antoine de Baecque, num livro sobre diálogos para os “Cahiers du Cinéma“. A estação de televisão SIC e a revista CARAS, órgãos de comunicação portugueses, atribuem-lhe o prémio de Melhor Realizador em 1997.

Ainda em 1997, com o filme Viagem ao Princípio do Mundo, Manoel de Oliveira foi distinguido com o Prémio Fipresci, da Academia do Cinema Europeu. Em Cannes, a estreia de Inquietude (1998) confirmou uma vez mais o lugar de destaque do realizador português no panorama cinematográfico mundial. Em 1999 foi atribuído ao seu filme, A Carta, o Prémio Especial do Júri do Festival de Cannes. Em Agosto de 2000 estreou o seu filme, Palavra e Utopia, no Festival de Veneza, com Lima Duarte no papel do velho Padre António Vieira. No mesmo ano, nas universidades de Harvard, Yale e Massachusetts, nos Estados Unidos da América, foram organizadas homenagens ao cineasta português. Manoel de Oliveira recebeu mais um prémio em 2002, o Prémio Mundial das Artes Valldigna, atribuído pelo Governo Regional de Valência, em Espanha. Mantendo-se como o realizador mais idoso ainda em actividade, não deixou de surpreender em Je Rentre à la Maison (Vou Para Casa, 2001), onde proporcionou um grande papel a Michel Piccoli. Seguiram-se O Princípio da Incerteza (2002) e Um Filme Falado (2003), onde reuniu um elenco de luxo composto por Leonor Silveira, John Malkovich e Catherine Deneuve.


Em 2004 realiza
O Quinto Império – Ontem Como Hoje e em 2005 Espelho Mágico, ano em que recebeu em Paris o grau de Comendador da Ordem de Legião de Honra, pelas mãos do presidente francês Jacques Chirac, e a Medalha de Ouro do Círculo de Belas Artes de Madrid.
Volta à realização no ano seguinte com o filme
Belle Toujours e em 2007 realiza Cristóvão Colombo – O Enigma. Em 2008 foi homenageado com a Palma de Ouro de Honra do Festival de Cinema de Cannes como reconhecimento do seu talento e da sua obra.
Aquando da celebração do seu centésimo aniversário, o realizador foi condecorado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique.

Manoel de Oliveira insiste em dizer que só cria filmes pelo gozo de os fazer,independente da reacção dos críticos. Leva uma vida retirada e longe das luzes da ribalta. Durante o festival de Cannes 2008, foi congratulado e felicitado pessoalmente pelo actor norte-americano Clint Eastwood. Dotado de uma resistência e saúde física e mental inigualáveis, este brilhante cineasta ainda tem planos futuros.

Para terminar e completar este quadro sobre Manoel de Oliveira resta-nos ver um documentário autobiográfico: A Visita – Memórias e confissões, feito em 1982 mas a ser projectado unicamente após a sua morte, por desejo expresso do Autor.

Artigo, elaborado & desenvolvido por,

Paulo Coelho (“Sá”)

Fonte:

Diciopédia 2009

A Enciclopédia Livre,

Uma Pequena Biografia do Cineasta

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